From Tio Atum with love.

Foi com alguma ânsia e orgulho que analisei Greedy Guns, um projecto que já sigo há algum tempo, ao ponto de ter apoiado no Kickstarter. O facto de ser Português ajudou nessa decisão, mas o visual e a promessa de ser inspirado em Metroid e Metal Slug foram os selling points.

Após 3 largos anos de produção, Greedy Guns lá viu a luz do dia no Steam, prontinho para mostrar ao mundo que os Portugueses não têm apenas capacidade para ganhar campeonatos de futebol e festivais da canção. Greedy Guns destaca-se logo pelo seu visual cartoonesco, muito parecido ao que hoje em dia se vê em série como Rick & Morty e até mesmo Adventure Time. Os personagens são engraçados e os cenários estão bem trabalhados, conseguindo oferecer uma boa quantidade de ambientes alienígenas. Alguns aliens estão bem conseguidos, mas são poucos, fazendo que que se repitam bastante ao longo de todo o jogo.

Neste jogo assumimos o papel de Bob e Kate, mercenários conhecidos como Greedy Guns e que nesta missão estão a trabalhar para a Holocorp, adquirindo DNA alienígena. Sem grande ambição no que toca à história, acaba por ser a típica história de Metroidvania, onde o nosso personagem fica preso e tem que arranjar forma de sair daquela zona, com bastantes referências à cultura pop e humor. Mas que interessa a história? Queremos é chacina!

A nível de jogabilidade, a Tio Atum conseguiu juntar o melhor de dois mundos: os enormes mapas labirínticos dos Metroidvanias, cheios de segredos e bosses para descobrir e claro, a jogabilidade ao estilo de Metal Slug, onde balas e inimigos enchem o ecrã. Ao longo da jornada iremos adquirir novas armas e habilidades para o personagem que serão úteis para matar aliens e conseguir passar por alguns obstáculos. As batalhas contra os bosses são um dos pontos altos do jogo. São quase todas diferentes entre si e as mecânicas oferecem um excelente desafio ao jogador. Existe um boss recorrente ao longo da campanha que é bastante interessante, e sempre que aparece existe um elemento novo que o torna único. Algumas das salas funcionam como puzzle, onde simplesmente temos que chacinar inimigos ou conseguir chegar vivos a determinado sitio. Peca apenas por não ter mais uma pitada de RPG, mas compreendo que quiseram deixar o jogo mais puro quanto possível.

A banda sonora ajuda a criar um excelente ambiente. Todas as melodias são inspiradas no estilo retro e todas elas se adequam ao sitio onde estamos, o grande problema é que vamos passar muito tempo na mesma zona, o que torna as música repetitivas. O som dos personagens e armas também poderiam ser trabalhados, e faz com que seja um dos pontos fracos do jogo.

O conceito de couch co-op está presente com o modo de 2 jogadores. A qualquer momento um segundo jogador pode entrar no jogo para nos ajudar na aventura. É uma raridade nos dias que correm e Greedy Guns faz um excelente trabalho nesse departamento.

É suspeito por ser um jogo português, mas adorei Greedy Guns. Metroidvanias há muitos mas são poucos aqueles que me deixam ficar colado ao ecrã, e Greedy Guns conseguiu fazer com que me sentasse em frente ao computador depois de um longo dia de trabalho. Fico feliz pelo resultado final de um projecto que apoio há algum tempo, e com a esperança que a Tio Atum não fique por aqui e que nos continuem a entregam jogos de enorme qualidade.