27 Mar 2020
PS4

Análise – Gravity Rush 2

Finalmente a Playstation 4 recebe este título ”exclusivo” que já estava prometido há muito e que quase caiu no esquecimento como a consola em que se estreou.

A série Gravity Rush recebe o seu segundo capítulo sob o cunho da Japan Studio (subsidiária da Sony) e Project Siren (conhecida pela série Forbidden Siren), e está melhor do que nunca. Já à muito que esta série original da PS Vita merecia não só um port para a mais recente consola da Sony como também uma sequela à altura daquilo que é exigido no panorama gamer de momento.

Kat está de volta mas começa a sua aventura sem poderes e separada de quase todos os seus companheiros, trabalhando como mineira para Lisa, a dona da comunidade de Banga. Banga é um povo de refugiados que trabalham nas minas locais e Kat, durante o turbilhão de acontecimentos do final do primeiro jogo, acaba por ser resgatada por este povo, mas com um preço a pagar. Ao acordar, a protagonista descobre que perdeu todos os seus poderes ao separar-se de Dusty, o seu fiel e misterioso gato e Raven, a sua ex-inimiga. Apenas com o agente Syd do seu lado, Kat dedica-se a ajudar Lisa nas minas para que esta última pague os seus dividendos a Vogo e Fi, dois irmãos ao serviço do concelho de ministros de Jirga Para Lhao, onde quase toda a acção de jogo irá decorrer.

Durante a sua longa jornada, Kat recupera os seus poderes ao reencontrar-se com Dusty e sente que deve ajudar o povo de Banga, especialmente Cecie, uma enigmática e frágil rapariga (também ela refugiada), que não sabe nada do seu passado e que está sob a tutela de Lisa.

O jogo reparte-se em 3 capítulos distintos e no 3º voltamos a Hekseville, onde vamos descobrir a verdadeira história por detrás do misticísmo de Cecie. Iremos também descobrir o que aconteceu a Chaz e Bulbosa do jogo anterior e conhecer dois personagens (Kali Angel e Dr. Brahman) que são tudo menos aquilo que aparentam ser.

A jogabilidade original e que já é identidade própria desta série está de volta e com muito mais conteúdo e melhorias. Para além de termos a habilidade de manipular a gravidade e voarmos por todo o cenário como queremos, temos ainda ao nosso dispor novas habilidades e estilos gravitacionais. Lunar Style é o primeiro “upgrade” que recebemos e permite-nos voar e saltar com maior velocidade e leveza. Jupiter Style é a segunda melhoria e oferece-nos poder de combate e força com muito mais dano e impacto, no entanto torna-nos muito mais pesados. Podemos alternar entre estilos sempre que queremos e assim escolher o estilo que mais se adequa durante as inúmeras batalhas que temos que lutar.

Os cenários de jogos continuam abstractos ao máximo e muito mais coloridos e interactivos. A arte em cel shading está melhor que nunca e em alta definição. Existem muitos jogos que exploram o surrealismo e que acabam por cair no banal e vulgar, mas Gravity Rush 2 consegue transformar o surreal em algo tão apelativo e fresco, diria até que novo e longe de se tornar aborrecido. Podemos presenciar isso nas cidades e locais de batalha, podendo manipular quase todos os objectos, interagir com os NPC com comentários e conhecer mais sobre eles, explorar e descobrir passagens ou objectos secretos.

Os inimigos Nevi também estão de volta mas não são só eles que nos vão criar sarilhos a todo o instante. Iremos lutar contra centenas de soldados e mech-warriors ao serviço do concelho e contra bosses enormes, originais e imprevisíveis. Preparem-se para pensar outside-the-box em muitas destas batalhas, porque vai ser preciso criar estratégias de combate na maioria delas. No entanto, temos Raven do nosso lado, e apesar de ser controlada pelo computador, reage muito bem e chega a causar impacto no resultado final de cada batalha. Só tenho pena que Raven não esteja disponível para ser controlada em co-op local ou online, mas quem sabe, num DLC ou num título futuro possamos contar com isso.

Gravity Rush 2 é repartido por 20 missões de história, mais de 40 missões secundárias e uma dúzia de desafios. As missões de história são muito interessantes e oferecem sempre aquele cliffhanger que nos deixa com vontade de continuar sem parar e saber o que vai acontecer a seguir, nunca quebrando a acção de jogo. As missões secundárias, apesar de serem mais do que o dobro das principais, são na sua maioria interessantes porque permitem-nos conhecer melhor a história dos personagens secundários e isso ajuda a entender melhor toda a história. Mas apesar de tanto conteúdo bom, também temos de ter algum mais enfadonho. Algumas missões só existem para “encher chouriço” e nem deviam de existir no jogo. Sabemos que Kat é uma alma pura e bondosa mas em alguns casos é bondosa demais. Em algumas missões temos de passear cães, resgatar patos, entregar jornais e até descobrir se o namorado de uma NPC a anda a trair. Sinceramente, algumas missões oferecem um charme único ao jogo, mas estas últimas só servem para nos fazer perder tempo.

Em relação aos desafios, estão de volta as clássicas corridas onde podemos usar qualquer estilo gravitacional para bater o melhor recorde possível e partilhar com as leaderboards online. Temos também entregas de jornais no mais curto espaço de tempo e batalhas em time trial.

Algo que também está de volta e melhorado é a secção de power-ups onde podemos evoluir tudo aquilo que Kat ser a “rainha gravitacional” como é conhecida em Heksville. A troco das já típicas gemas, podemos evoluir as nossas aptidões de luta, como também os pontapés gravitacionais, deslize, manobras de evasão e até ataques especiais. Para além desses power-ups, durante as nossas missões nas minas, ao destruir rochas, vamos adquirindo talismãs que oferecem melhorias diversas, desde combate a mais vida ou energia de gravidade.

O compositor da banda sonora do primeiro título, Kohei Tanaka, também está de volta e oferece-nos um ambiente orquestral com nuances de Jazz e Soul absolutamente sublimes e que acentam no jogo que nem uma luva. Por vezes até dá vontade de pausar o jogo e deixar a música correr para dar aquele ambiente à casa.

A última grande novidade é a tab de Announcements onde vamos recebendo notícias de outros membros online, fotos onde podemos descobrir tesouros partilhados por outros jogadores em tempo real, desafios, locais para garimpar ganhando assim gemas para evoluir Kat e por último, tutoriais que vão-nos acompanhando do início ao fim da aventura.

Por fim e não menos importante, o mapa de Gravity Rush 2 está dividido em duas partes distintas (Jirga Para Lhaos e Hekseville) acabando por ser muito maior que o seu primeiro título, com novas áreas de exploração repartidas por ilhas. Ilhas essas que vão desde casas de lata habitadas pela classe operária de Lei Elgona até à classe burguesa repleta de mansões de luxo nas ilhas de Lei Havina. Temos também ilhas de potência militar onde operam as forças policiais em Avarash au Govena, a classe média e lojista residente em Lei Colmosna e o nosso povo mineiro Banga que se estabelece no meio, sendo que este último não conta como ilha do mapa. Outra parte que não é integrante neste mapa é o concelho de ministros que gere todo este território. Esta primeira parte do mapa está distribuída na vertical em espécie de pirâmide sendo que no fundo fica a classe operária e vai subindo até ao topo onde as forças da lei e o concelho de ministros impera. Heksville está de volta na sua íntegra e é a segunda parte deste mapa com todos os seus distrítos como Auldnoir, Vendecentre, Endestria e Pleajeune. Fiquei bastante surpreso quando descobri que Kat iria “às suas origens”, especialmente depois de achar que o jogo já tinha terminado, eis que vem outro capítulo repleto de conteúdo… e que conteúdo que este era.

Resumindo, Gravity Rush 2 é mais um título obrigatório e razão complementar a outros tantos títulos exclusivos para se comprar uma PS4. Não será um Game of the Year, mas sem dúvida que vai ser um título essencial na biblioteca da Sony, não fossem as produtoras que trabalharam nele donas de um portfolio de fazer inveja às consolas rivais.

 

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