16 Ago 2018
Análises

Análise – God of War

Kratos está de volta, agora na companhia do seu filho Atreus, numa aventura épica que promete tornar-se uma das melhores experiências, se não a melhor da PS4. God of War está finalmente aí e preparem-se, vão ficar rendidos.

Os tempos da mitologia grega já passaram. Depois do Deus da Guerra ter derrotado os Deuses do Olimpo, Kratos, procurou exílio nas terras nórdicas de Midgard onde acabou por ter um filho, Atreus.

Kratos está mais velho e sem a sede de vingança que o acompanhou nos jogos anteriores, sempre revoltado e em modo raiva. Agora e com um filho, Kratos vive com único propósito de preparar Atreus para o que este poderá vir a enfrentar no futuro. Mas isto não é tarefa fácil…nunca imaginámos no passado como seria ter Kratos a fazer de baby sitter, e o próprio chega a perder muitas vezes a paciência com o filho.

A aventura começa quando os dois tentam cumprir o desejo da mulher de Kratos que faleceu e deixou como último desejo, que as suas cinzas fossem espalhas no cume mais alto do reino. A premissa parece simples mas tudo muda quando recebem uma visita inesperada ainda na sua casa, antes de iniciarem a caminhada.

O desenrolar da narrativa é feito sem pressa. Começamos sem saber o que aconteceu a Kratos e cheios de perguntas no ar e cada minuto que jogamos é sempre com a vontade de descobrir o que se passou para chegarmos a onde chegámos. O nosso protagonista perdeu as suas armas habituais e agora tem apenas um escudo e um machado.

Mas este machado não é um machado qualquer, o Leviathan Axe foi forjado pelos irmãos Sindri e Brok, os mesmos que criaram o martelo de Thor: Mjölnir. Para quem jogou os anteriores, vão sentir uma enorme mudança na jogabilidade com a chegada do machado e escudo, em prol das lâminas tradicionais de Kratos que originavam uma acção mais rápida e visual.

God of War acompanhou a geração actual de jogos e elevou a fasquia, adaptando a sua jogabilidade a algo mais imersivo, emocional e que nos coloca dentro jogo a cada passo que damos. A camera está espectacularmente trabalhada para nos proporcionar uma experiência próxima que nos faz ranger os dentes em cada ataque proporcionado por Kratos.

A mecânica de combate é totalmente nova e diferente do que estamos habituados. É complexa e obriga-nos a mudar consoante o inimigo que enfrentamos. Para além da variedade de combinações através do combate com o machado, podemos ainda optar por lutar apenas ao soco e ao pontapé. Os dois combinados aumentam os nossos batimentos cardíacos e inserem-nos na pele de Kratos enquanto devastamos mortos vivos, ogres, elfos, bruxas, entre tantos outros que se atrevam a atravessar à nossa frente.

Mas desta vez não é só Kratos que participa nos combates, Atreus também tem um papel importante, seja como isco para chamar a atenção dos inimigos, ou até mesmo para os segurar enquanto nós tiramos partido da parte divertida: a devastação. Graças a estas novas mecânicas de combate, seja a solo ou com Atreus, God of War agarra-nos do início ao fim.

Como tínhamos mencionado anteriormente, a mitologia grega ficou no passado de Kratos e agora chegou a vez da Santa Monica Studio apresentar-nos outros deuses e outras criaturas, desta vez da mitologia nórdica. No desenrolar do jogo vamos ligando as pontas soltas e percebendo esta mudança de direcção, apesar de inicialmente estranharmos uma mudança tão súbita na série.

Visualmente é de uma qualidade acima da média, a um nível que só grandes jogos como Horizon Zero Dawn conseguiram proporcionar. Não só ao nível das localizações que estão criadas em máximo detalhe, os próprios personagens e criaturas que enfrentamos estão fantasticamente desenhados. O motor gráfico leva a PS4 ao limite e já percebemos que chegámos ao limite da geração – não pode ficar melhor que isto. A Santa Monica Studio adicionou duas opções: uma que nos permite ter uma maior frame rate mas baixar alguns detalhes gráficos, outra que limita a frame rate a 30 frames por segundo mas que transmite o jogo nos gloriosos 4K com HDR.

A banda sonora nem vale a pena falarmos muito, quem assistiu à entrada da Sony na E3 de 2016 sabe do que estamos a falar. É uma explosão de sentimentos e uma autêntica obra de arte de Bear McCreary que encaixa perfeitamente no tom mais sério e emocional que a série tomou em God of War. Como tem sido habitual nos jogos da Sony, para quem preferir jogar em português, existe uma dobragem portuguesa em que o destaque é Ricardo Carriço que dá a voz a Kratos.

Um novo sistema RPG foi também incluído e agora, pela primeira vez na série, podemos personalizar a armadura de Kratos e de Atreus consoante o nosso estilo de jogo. Agora podemos optar por ter uma postura mais agressiva lidando mais dano aos nossos inimigos mas com menos vitalidade, ou ter mais vitalidade e focando mais a componente mágica. Toda esta personalização está complexa e permite-nos evoluir ambos os personagens à medida que a história se desenrola. Para além das armaduras, as armas de ambos também podem ser melhoradas com a adição de runas mágicas e aquisição de novas combinações para usarmos em combate.

Para além de personalizarmos o arsenal já existente, podemos também fazer crafting de novas peças que se dividem num sistema de raridade por cores. Este crafting é assegurado pela loja dos irmãos Sindri e Brok que se encontram espalhados por tudo quanto é sítio. Estes dois (distintos) irmãos não só nos ajudam com o arsenal, como também nos passam contexto do mundo nórdico à medida que jogamos, seja através de pequenas histórias ou através de missões secundárias que nos vão pedindo.

Sim, leram bem, missões secundárias. Em God of War a acção não passa por levar apenas a história a eito. Quem se aventurar a seguir apenas a história principal não tira o total proveito desta fantástica aventura. O mundo é vasto e cada área está desenhada com uma dedicação fora de série. São fantásticos cenários que vos aconselhamos a explorarem ao máximo.

O mapa é relativamente grande, especialmente para um jogo do género. E através da nossa canoa podemos andar livremente a explorar ilhas perdidas enquanto salvamos espíritos abandonados, a fazer caça ao tesouro ou até a destruir criaturas míticas.

Ao todo são cerca de 40 horas de God of War, 40 horas de imersão, de sentimento, de garra e de uma fantástica história. God of War é um forte candidato a jogo do ano e a nós já nos conquistou como um dos melhores jogos da geração, um título obrigatório que eleva o catálogo da PlayStation 4 a um novo patamar. Tecnicamente perfeito e desenhado com uma dedicação fora de série, é um título que nos oferece tanto em vários sentidos.

10.0
Score

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