Metroidvania esta de volta, será que com o mesmo encanto?

Metroidvania esta de volta, será que com o mesmo encanto?

Forma.8 é um metroidvania em 2D lançado em Fevereiro de 2017 pela MixedBag para quase todas as plataformas, desde iOS e Android, passando pelo PC, Linux e Mac, ainda chegando ás consolas com a Wii U, PS4, Xbox One, Nintendo 3DS e ainda a PS Vita!

Jogamos a versão Wii U e o factor de podermos jogar o jogo na integra utilizando a tablet em vez da televisão é bastante positivo, mas ao jogar na televisão a tablet não nos trás nenhum ganho, resume-se apenas a duplicar o ecrã.

Forma.8 apresenta-nos ao seu mundo com uma cutscene inconfundivelmente sci-fi, um inicio misterioso que mantêm o sentido de descoberta, solidão e mistério até ao fim. Sem grandes apresentações somos lançados ao mundo, sem tutorial, sem explicação apenas com a curta cutscene que acabamos de ver, mesmo à moda antiga! Mas acreditem… foi refrescante, não ter de passar por um tutorial de 20 minutos para saber como jogar o jogo! Este sentimento mantêm-se ao longo de todo o jogo, não nos dão a mão e não nos dizem para onde ir e fazer alguma coisa porque sim, somos nós que temos de descobrir tudo, desde o que são as pequenas formas que encontramos pelo mundo, para que servem, onde as vamos usar e quantas existem! Para alguns jogadores pode ser algo bom, pois a sua imaginação preenche os espaços vazios, mas também tem o reverso da medalha, por não haver tanta informação o jogador pode-se desligar e perder interesse, nós pessoalmente? Ficamos ainda mais intrigados com o mundo e quisemos explorar cada vez mais para ver o que vem a seguir!

A nossa missão é descobrir e explorar este estranho mundo onde nos despenha-mos, para isso controlamos uma pequena nave ou drone. No inicio não tem grandes capacidades e cabe a nós ao explorar o mundo encontrar outros drones avariados e receber destes pequenas habilidades que nos irão ajudar a progredir cada vez mais neste mundo. Apesar de um mundo estranho e desolado, é preenchido com imensos inimigos e vários perigos à nossa pequena nave, desde lava a espinhos, é um jogo com um ambiente tão calmo que por vezes consegue ser bastante hostil. Além de inimigos encontramos vários puzzles baseados nas físicas do jogo e nas habilidades que possuímos e claro ao estilo metroidvania somos incentivados a explorar cada centímetro do mapa à procura de soluções para os nossos problemas ou encontrar novos caminhos que se abrem quando adquirimos uma nova habilidade, se jogaram algum jogo da série Castlevania nos últimos sete anos sabem do que falamos. Além da exploração, puzzles e pequenos inimigos, pelo mundo vamos também encontrar alguns bosses, bastante grandes e sempre com uma forma fora do normal de derrotar, o boss em si é um puzzle basicamente, mas aqui o jogo peca um pouco pois por vezes pensamos que estamos a fazer algum dano ao boss e na verdade não estamos, mas depois de derrotar-mos o primeiro tudo se torna mais evidente e nos próximos já sabemos o que devemos procurar.

Os gráficos do jogo são fantásticos, coloridos e cheios de detalhe, apesar de muito do mundo estar na sombra ao estilo de Limbo. Os ambientes fazem um trabalho fantástico em nos fazer sentir que estamos sempre num sitio diferente e que existem novos desafios ao virar de cada esquina, desde grandes zonas abertas a pequenos e claustrofóbicos corredores. O desenho dos inimigos é criativo e os enormes bosses são um prazer de se olhar durante mais algum tempo…apesar de não podermos pois são bastante agressivos.

O audio é ambiental e serve bastante bem o seu propósito, ajudando o jogador a sentir-se cada vez mais isolado neste mundo repleto de perigos, perigos estes que estão acompanhados de efeitos sonoros credíveis e variados. Cada ambiente novo é acompanhado de uma melodia e com o seu som distinto, desde lava a borbulhar a ventos a soprar, o audio acompanha bastante bem a acção e ajuda imenso em aumentar o sentido de exploração quando descobrimos o mundo.

O jogo pode não ser muito comprido como estamos habituados em outros metroidvanias mas todo o tempo que passamos com ele é tempo bem passado, é tempo em que puxamos pela cabeça e é tempo que passamos a explorar um novo mundo onde muitas das vezes até somos nós a preencher algumas das lacunas de informação com as nossas próprias conclusões e ideias. Talvez para um jogador que goste de um jogo mais estruturado e onde pretende ter toda a informação não seja ideal, há outros metroidvanias mais indicados…mas, para quem gosta de aventura, exploração e puzzles é um jogo que tem um valor simpático para as horas de jogo e diversão que tiramos dele e é um excelente exemplo deste género de jogo.