Os heróis de Fire Emblem juntam-se numa jornada épica.

A Koei Tecmo tem feito um sucesso tremendo com a sua saga Warriors. Já várias franquias dos mais diversos tipos se juntaram a esta causa, incluíndo o universo de The Legend of Zelda. Chegou a vez da série de culto que nos últimos anos tem se vindo a popularizar de forma devastadora: Fire Emblem.

Em Fire Emblem Warriors seguimos a história de Rowan e Lianna, os dois herdeiros ao trono de Aytolis. Certo dia, começam a surgir uns portais com monstros que atacam o castelo, e os dois irmãos conseguem escapar. É a partir daqui que partem numa jornada com a ajuda dos heróis de outros jogos da série Fire Emblem que vieram parar a este mundo sem saberem como. A história é simples e apenas serve como desculpa para vermos vários personagens de diferentes reinos e eras interagirem entre si. É um verdadeiro regalo para os fanboys (ou mais fangirls) da série assistirem ao enredo, como os diferentes personagens interagem entre eles e ver até alguns encontros improváveis que vão deixar os próprios personagens completamente perplexos.

Para além da história normal do jogo, existe ainda um History Mode, que se trata de um conjunto de vários capítulos que não fazem parte da história de Fire Emblem Warriors, mas são focados nos jogos que estão representados pelos diferentes personagens. Estas missões são desbloqueadas à medida que vamos completando extras na campanha principal e assim que completadas estas missão, dão-nos acesso a novos heróis.

O grande foco do jogo é mesmo a jogabilidade característica da série Warriors. A Nintendo Switch não é uma consola tão potente como as actuais consolas da concorrência, por isso optaram por um visual que lhes permitisse uma excelente optimização. Uma mistura entre cell shading e anime, é assim que classifico o visual do jogo. Gosto bastante dos traços dos personagens e cenários, assim como as cores. Nem sempre utilizar um visual mais adulto é sinónimo de perfeição, e este jogo não me deixa mentir. O jogo comporta-se de forma sublime e mesmo com toda a acção a passar-se ao mesmo tempo no ecrã, não notei grandes quebras na fluidez. No modo TV podemos escolher entre dois modos visuais, um que deixa o jogo a 1080p mas a 30fps constantes e um segundo que baixa a resolução para 720p mas as frames sobem para 60.

Para quem já está habituado aos jogos da série, vai-se sentir em casa com Fire Emblem Warriors. O conceito é o mesmo de sempre: enormes batalhas entre exércitos onde os heróis de cada uma das facções marcam a diferença pelas suas habilidades únicas. Existem vários fortes e torres de controlo no mapa que nos ajudam a progredir até chegarmos ao Boss de cada nível. Pelo caminho existem também algumas pequenas tarefas que nos vão aparecendo, algumas obrigatórias, outras que apenas nos dão alguns extras para nos ajudar a virar o curso da batalha. Fora das batalhas podemos comprar emblemas para melhorar os personagens, adquirir novos equipamentos e também melhora-los. Pode parecer muito button mashing, mas existe muita estratégia envolvida no jogo. Existem várias classes e cada uma delas tem as suas forças e fraquezas por isso é sempre uma mais valia ordenar cada um dos heróis de forma bem pensada pois um passo em falso pode ser fatal. A grande novidade em relação a “títulos anteriores” é o facto de podermos juntar dois personagens para trabalharem em conjunto. À medida que vão unindo forças, vão aumentando os seus laços e assim adquirirem novas habilidades.

Outra característica deste tipo de jogos é a sua banda sonora intensa que dá “pica” para arrasar com exércitos inteiros. A banda sonora deste jogo está soberba e cumpre a sua função na perfeição, juntando temas de rock com melodias típicas da série Fire Emblem. Por pré definição, o jogo vem com vozes em Inglês mas podem descarregar de forma gratuita as vozes originais. Joguei com as duas e mesmo sendo um apologista das versões originais, acabei por gostar da dobragem inglesa, mesmo com aquele toque cheesy que eles tanto gostam de dar.

Fire Emblem Warriors foi feito a pensar nos fãs de Fire Emblem mas não deixa de ser divertido para quem apenas quer um título com muita acção e estratégia envolvida. Assim como os outros títulos temáticos dos últimos anos, não existem grande tipo de inovação, mas certamente faz as delicias dos fãs da série da Nintendo. Mesmo não sendo grande fã de Fire Emblem, acabei por não ter gostado assim tanto da história como um fã mais antigo da série teria, mas fiquei bastante impressionado da apresentação e da forma como o jogo se comporta na consola da Nintendo.