Um belíssimo remake para todos os fãs desta gloriosa série.

Para a alegria dos jogadores, a Intelligent Systems parece que não consegue fazer um mau jogo de Fire Emblem. Este é o terceiro jogo desta série de RPGs tácticos a ser lançado para a Nintendo 3DS e aquele que mais se distancia dos títulos anteriores, o que neste caso, é algo muito positivo.

Se em Awakening tivemos a estreia da série nesta consola e foi considerado um dos melhores títulos do ano e Fates adicionou novos conteúdos seguindo a mesma mesma linha, Echoes surge como o título com mais mudanças e novidades face aos jogos anteriores. Para o bem e para o mal, é dos três jogos, aquele que mais me agradou jogar, precisamente pelos novos elementos de que não estava nada à espera.

Echoes é um remake de Fire Emblem: Gaiden, lançado apenas no Japão em 1992 para a Famicom, sendo este o segundo título da série. A premissa do jogo segue de perto a história de dois personagens principais, Alm e Celica, que cresceram juntos numa pequena vila e que têm ambos uma misteriosa marca na mão. Estes são separados e passados vários anos, os dois jovens são os líderes de dois exércitos distintos que vão ter de reunir forças para evitar males maiores. A história pode até parecer algo genérica mas a verdade é que esta está cheia de outros personagens secundários bem interessantes e toda a história deste mundo é bastante coerente. Logo aqui, uma clara melhoria face a Fates, que tinha alguns personagens desinteressantes e aborrecidos.

Outra das grandes novidades é a forma como vamos avançado no jogo. Ao contrário dos outros títulos, agora temos acesso a masmorras, onde podemos controlar o nosso herói para iniciar batalhas e encontrar outros itens, e a cidades, cuja a iteração funciona como um jogo de point-and-click. Sentimos assim que todo o mundo de Valentia tem mais vida e que nós temos uma presença mais importante no jogo, não se resumindo assim a saltar de batalha em batalha.

No que toca às batalhas, também existem algumas diferença visíveis. Por se tratar de um remake, e como tal os criadores tentaram manter alguns traços do original (e bem, a meu ver), as batalhas não são tão complexas como em Fates ou Awakening. Mas complexidade não é sinónimo de dificuldade e por isso não estejam à espera que não seja preciso alguma táctica e estratégia na forma como abordam os inimigos. Ainda assim, se se virem aflitos, podem sempre usar um item milagroso chamado Mila’s Turnwheel, que vos permite voltar até três turnos atrás para repensar melhor a vossa abordagem em campo. Este item poderá ser bastante útil para os mais novatos na série ou aqueles mais apressados.

Ainda assim, as batalhas continuam a ser o ponto essencial da série e estas continuam extremamente aliciantes. As animações continuam óptimas e o sistema de classes mudou um pouco. Agora, cada personagem tem uma arma própria e os seus atributos variam muito em relação à classe escolhida, deixando de existir aquele triângulo estilo pedra-papel-tesoura que esteve presente em Fates.

Um dos aspectos que mais me surpreendeu foi a banda sonora e as vozes dos personagens. Estas estão extremamente reais e dão imensa vida aos personagens, mesmo que na maior parte das vezes estejamos a ler e a ouvir caixas de diálogos. As musicas estão igualmente boas e vê-se que houve, mais uma vez, uma grande dedicação nesta componente.

Em termos gráficos, Echoes mantém a linha dos seus antecessores sem apresentar grandes diferenças. Ainda assim, as masmorras podiam ter mais algum detalhe, sendo que algumas parecem algo despedidas e vazias.

Fire Emblem Echoes: Shadows of Valentia é sem margem para dúvida o jogo mais “diferente” desta série na 3DS. Não só inseriu novos elementos pouco convencionais neste tipo de jogos, como eliminou e melhorou alguns aspectos dos jogos anteriores. A coragem dos seus criadores é de louvar e é um excelente exemplo de como quando se arrisca numa mudança pensada, esta pode resultar num produto final absolutamente fantástico.