18 Ago 2018
Análises

Análise – Final Fantasy XIV: A Realm Reborn

Assim se abrem as portas de Eorzea a mais uma de aventureiros. O MMO da Square-Enix, renascido depois de uma primeira versão desastrosa, chegou à PlayStation 4, e assim apresenta-se pela primeira vez numa consola de nova geração.

Esta versão é muito semelhante à do PC. Quase idêntica, na verdade. De tal forma que quando comecei a jogar e associei a minha conta Square-Enix, pude continuar a jogar com a minha antiga personagem.

Mesmo em termos gráficos a PlayStation 4 está à altura. É certo que FFXIV não é um jogo com gráficos de topo, mas é um dos mais bonitos dentro do género, e salvo uma framerate um pouco mais baixa nas áreas mais frequentadas, esta versão está a par com o jogo a correr num PC de topo.

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Mas é bom? Muito do que disse na análise inicial, mantêm-se. Em termos mecânicos é mais um derivado do clássico World of Warcraft, com algumas afinações para melhor funcionar com um comando. Bem-sucedidas, já agora. A Realm Reborn joga-se muito bem com o comando, tanto na navegação pelos menus como no combate. O touchscreen do DualShock 4 revela-se pouco preciso a controlar o ponteiro de rato, mas ajuda como botão extra. Só mesmo a utilização do mapa deixa um pouco a desejar.

Já o combate é rápido e ocasionalmente exige manobras de evasão, pois muitos inimigos têm ataques poderosos que afectam uma área especifica em frente ou em redor deles. Nisto e na selecção de habilidades, o DS4 está mais que à altura.

Infelizmente este combate não é muito interessante. Até onde joguei, e cheguei a ganhar muitas habilidades, fiquei com a sensação de que todos os ataques são muito semelhantes. Alguns fazem os inimigos ficar mais lentos, podem diminuir-lhes a resistência ao dano, mas o que se passa no ecrã é uma enchente de fogos-de-artificio, esteja o jogador a dar um murro ou usar um feitiço ou atacar com a lança.

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É certo que o meu tempo de jogo foi limitado a umas 15-20 horas, pevides para um MMO, mas já devia ter sido tempo suficiente para o combate se tornar mais complexo. Especialmente com o rico sistema de profissões que o jogo tem.

Funciona assim: o jogador conduz a sua personagem a um grémio – por exemplo, o grémio dos paladinos – onde através de demandas, é introduzido como aprendiz numa profissão. A partir daí, sempre que equipar a arma tradicional dessa profissão, o jogador ganha níveis nela.

E pode fazer isso as vezes que quiser! Ou seja, quem quiser, e dedicar tempo suficiente, pode dominar todas as profissões do jogo com uma só personagem, e eventualmente combinar habilidades entre elas. É um sistema muito robusto e interessante, que se ata muito cem com o sistema de demandas dinâmicas, as Levequests.

Basicamente este sistema é um “quadro de emprego”. Em cada zona há um ou mais personagens com que o jogador pode falar para receber missões aleatórias adequadas ao nível da zona em que está, as vezes que quiser – com um determinado limite diário. Assim, alguém que seja, por exemplo, um guerreiro nível 40 e queira começar a subir níveis como pugilista, poderá começar o seu aprendizado e ir para as áreas iniciais fazer as Levequests de baixo nível.

Como o leitor já se deve ter apercebido por esta altura, Final Fantasy XIV é um jogo cheio de sistemas diferentes, alguns deles bastante complexos. Mesmo para um veterano de MMOs como eu, há coisas pouco óbvias, e o sistema de ajuda interactivo é muito bom a explicar umas – inicialmente, até demasiado, com demandas a pedir que aprendamos a usar o chat – e muito mau a explicar outras (só percebi como funcionava o sistema de profissões depois de ir ler o manual online).

É bom ver um jogo que não tem medo de ser menos casual, quando é essa a direcção na qual os MMOs estão a evoluir, mas não posso deixar de dizer que gostava de ver algumas coisas ser mais explicitas.

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Outro dos pontos de interesse do jogo é a história. Entre as missões principais, surgem diálogos e sequências cinematográficas em abundância, que contam uma história tipicamente Final Fantasy. Não é revolucionário – World of Warcraft acaba por ter uma históra muito interessante, contada ao longo de centenas de horas de exploração, e tanto Star Wars: The Old Republic como The Elder Scrolls Online se focam em narrativas mais lineares. Mas é um aspecto agradável que faz este MMO assemelhar-se ainda mais ao clássico Final Fantasy XII – um jogo que, afinal de contas, fingia ser um MMO.

E no final de contas, é isso que o jogador pode esperar deste jogo: um Final Fantasy. Um Final Fantasy para múltiplos jogadores – se bem que, talvez devido aos horários que consegui encontrar para jogar, e ao meu baixo nível, eu não tenha tido muita sorte em encontrar pessoas com quem formar equipa – mas um Final Fantasy a sério, que não destoa tanto daquilo a que estamos habituados a que um Final Fantasy seja como aquilo que seria de esperar de um jogo deste género.

Vale a pena a mensalidade? É essa a grande questão que acompanha qualquer MMO que, num mundo de free-to-play, tenha a audácia de pedir entre 10 a 15€ por mês.

Ponho as coisas nestes termos: neste momento, há outros MMOs pagos que eu preferia estar a jogar. Final Fantasy XIV faz tudo bem mas não faz nada de forma excepcional. Por outro lado, não há alternativas na PlayStation 4, e para quem não tenha um PC apto para experiências MMO recentes, este é um jogo belo e uma delicia de explorar.

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Visto que até se joga a história principal a um ritmo razoavelmente rápido, vale a pena comprar FFXIV e usufruir do mês de experiência incluído para ver o máximo possível. A partir daí, cabe a jogador decidir se ficou satisfeito com as suas aventuras em Eorzea, ou se quer continuar.

Pontos Fortes:

– História
– Sistema de profissões
– Muito bem adaptado ao comando

Pontos Fracos:

– Combate pouco variado
– Alguns sistemas pouco claros

Final Fantasy XIV está disponível para PS3, PC e PS4. Esta análise foi realizada com base numa cópia disponibilizada por parte da distribuidora, para PS4.

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