08 Set 2018
PS4

Análise – FIFA 16

A nova época já começou e hoje é dia de partilhar convosco a nossa opinião de FIFA 16, a fórmula mudou pouco e foram adicionadas algumas novidades, será que a qualidade final se mantém?

Quarto ano consecutivo a analisar a série FIFA e a cada ano que passa a ansiedade cresce em que chegue finalmente o dia de lançamento para ver as novidades, o que melhorou ou piorou e acima de tudo a expectativa de finalmente ter as coisas mais parvas resolvidas. Infelizmente em FIFA 16 ainda há aspectos a melhorar, como é normal, o que não é normal é as coisas mais pequenas ainda não estarem resolvidas.

A EA encontrou em FIFA uma série de enorme sucesso, uma autêntica explosão de sucesso depois da implementação do modo Ultimate Team, um modo de jogo que contribui com um encaixe financeiro enorme e que ano após ano vai tirando o foco à restante experiência de jogo.

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FIFA 16 para mim é um jogo que tal como no passado, se divide em duas experiências de jogo distintas: o modo multiplayer e singleplayer. Esta distinção continua muito presente e sente-se na própria jogabilidade. Por norma, quem compra o FIFA 16 opta sempre por uma destas experiências, raramente alguém se divide nos dois modos de jogo de forma natural. No passado dediquei-me ano após ano a jogar FIFA online, fosse no modo Seasons ou Ultimate Team, sozinho ou acompanhado. A verdade é que me divertia imenso a jogar, mesmo com uma dose forte de azia à mistura em muitos jogos, acabava sempre por se balançar com momentos fantásticos e o que chamava de “jogos normais”. Não falando apenas do meu caso mas também o de outros amigos que igualmente vão acompanhando a série, não podia deixar passar nesta análise a insistência da EA em manter o sistema de balanço (ou sliders) nas partidas online. Em FIFA 16 tinha esperança que isto ficasse finalmente de fora e que nos deixassem jogar como queremos jogar, sem que o jogo procure equilibrar automaticamente a nossa equipa ou a equipa adversária. Cada jogo começa com a esperança de que seja equilibrado e bem disputado pelos dois jogadores, grande parte das vezes começa realmente assim mas se por algum motivo a inteligência artificial decide puxar mais pela nossa equipa, ou pela outra, fica tudo estragado. É frustrante quando até sentimos que somos superiores ao adversário mas subitamente a nossa equipa deixa de jogar da mesma forma, os passes são falhados um atrás do outro, os jogadores ficam super pesados e lentos a reagir e os jogadores da equipa adversária tornam-se todos autênticos “C. Ronaldos”. Neste ponto é tentar ao máximo segurar o jogo com o que temos e aguentar o jogo em pânico até ao final. Consigo compreender o ponto de vista da EA em tentar tornar toda a experiência o mais realista possível e se calhar isto serve para simular o que acontece em alguns jogos na vida real em que subitamente a equipa melhor começa a ficar mais nervosa e a jogar pior…mas hey, não queremos isto num videojogo, a diversão fica por terra.

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Mas já que estamos no que salta à vista de negativo em FIFA 16 é também importante realçar outros aspectos mais pequenos que não se percebe porque é que se repetem ano após ano. O mais comum e que resulta num facepalm constante é a marcação de foras de jogo em que se ignora completamente a lei da vantagem. Quantas vezes os imparáveis contra-ataques são cortados só porque um jogador da equipa adversária, que nem sequer toca na bola, tem um passe feito na sua direcção e só por estar fora-de-jogo, o jogo não percebe que eu corto a linha de passe e sigo em ataque. Não. É fora-de-jogo e pára tudo. E não, continuam a não aparecer as simples linhas de fora-de-jogo que deviam aparecer nas repetições e que ajudam a resolver uma discussão com o vosso parceiro de sofá.

No online também senti muitas dificuldades em arrancar uma partida. Chegava a ficar 10 a 15minutos a tentar começar um jogo e tinha que ir insistindo constantemente na procura de jogo. Consegui ultrapassar este problema fazendo um ligeiro tweak às configurações do meu router da Vodafone, abrindo umas portas específicas. Este problema acredito que não surja a todos os jogadores mas se querem ter uma experiência fluída nas ligações ao online, preparem-se para fazer uns ajustes ao vosso router.

Isto são os pontos negativos que mais me marcaram e FIFA 16 mas a verdade é que os positivos superam os negativos, é pena é estes poucos pontos negativos ainda não terem sido ultrapassados. Passando pelas novidades, este ano, o maior destaque é claro a adição das equipas femininas.

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Pela primeira vez na história, FIFA 16 passou a incluir equipas femininas. Ao todo são 12 equipas, todas elas selecções. Não podem ser jogadas em todos os modos de jogo mas marcam um bom início e são sem dúvida bem-vindas. Uma excelente novidade que de certeza vai sofrer mais novidades em futuros jogos, por enquanto é pouco mas o essencial. A jogabilidade não sofre muitas diferenças num jogo feminino ou masculino mas acredito que no futuro se comecem a notar mais diferenças, à medida que o Ignite (motor de jogo) sofra novas alterações ao seu motor de física.

As licenças continuam iguais ao passado, com todas as equipas e jogadores licenciados, uns mais fieis com a realidade que outros, no entanto estádios e comentários portugueses continuam de fora. A banda sonora mantém a qualidade dos anteriores e com uma banda portuguesa a juntar-se ao seu elenco, sendo eles os X-Wife, com a música Movin’ up.

Pela primeira vez na história, FIFA 16 passou a incluir equipas femininas.

Os modos de jogo já são os habituais, com o modo Carreira e Ultimate Team a ganharem mais destaque. A primeira pisadela no relvado deve começar pelos Skill Games, para se habituarem às novas animações, passes, remates e movimentações dentro das quatro linhas.

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Uma das novidades incide sobre o modo Ultimate Team com a chegada do FUT Draft, aqui, conseguem lançar uma equipa de nível, do nada e sem perder muitas horas no Ultimate Team. O único senão é que cada entrada no torneio do FUT Draft custa 15,000 Coins ou então, pagam com dinheiro real.

O remate, passes e dribble foram ajustados e para quem está a chegar a partir de FIFA 15, esperem ainda umas boas horas e jogos de adaptação. De inicio os remates ao lado vão ser muitos e os próprios guarda-redes vão parecer conseguir defender tudo, com as suas luvas a tornarem-se autênticos imanes em remates que eram golos certos em FIFA 15.

Em todos os jogos que realizei de FIFA 16 (e foram muitos), um dos aspectos que senti que estava muito diferente, são os cantos e cruzamentos. Em todos os jogos que fiz não marquei qualquer golo de cabeça e sofri apenas um golo de canto, com um remate de cabeça à entrada da área. Tirando isso, os defesas e guarda-redes ganham tudo dentro da área. É uma enorme vantagem para quem defende enquanto quem ataca vai procurar certamente outro tipo de jogada.

Em suma, FIFA 16 continua a ser uma agradável experiência de futebol, uma pena não ter afinado as pontas soltas que surgiram em FIFA 15. Este ano a concorrência ficou ainda mais renhida e a escolha entre um ou outro ficou ainda mais difícil. As adições foram poucas mas bem-vindas, esperamos agora que FIFA 17 dê o salto definitivo que a série tanto precisa, um novo patamar na jogabilidade, o fim dos sliders no online e a correcção dos erros básicos como por exemplo o da lei da vantagem.

Analisado na PlayStation 4.

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