Demónios, gore e heavy metal na consola “family friendly” da Nintendo.

Surpreendidos?

Nós ainda estamos, nomeadamente por ver uma empresa como a Bethesda a dar tanto apoio à nova consola da Nintendo. Doom é o primeiro de três jogos que a empresa vai lançar na Nintendo Switch, seguindo-se ainda este mês o The Elder Scrolls V: Skyrim e o Wolfenstein II: The New Colossus em 2018.

Mas sendo a Nintendo Switch uma consola de hardware inferior, em comparação à concorrência, significa que vamos receber uma versão diferente?

Não, e foi isto que nos espantou em DOOM. Mas obviamente teve de haver alguns compromissos.

DOOM é um nome que já existe na indústria desde 1993 e é considerado por muitos o avô dos first-person shooters, popularizando o género, foi pioneiro em gráficos 3D e em network multiplayer gaming. a id Software fez um excelente trabalho com o jogo na altura e temos a agradecer ao John Carmack e John Romero por todo o amor que eles e a equipa puseram no jogo ao longo dos anos.

Embora este DOOM já não tenha contado com a participação dos dois, o estúdio fez um excelente trabalho em trazer a série de volta para esta geração. O jogo foi lançado em 2016 para PC, PlayStation 4 e Xbox One, atingindo uma média de 8.5, mas um ano depois somos surpreendidos com a versão Nintendo Switch e é essa mesmo que vamos falar em mais detalhe.

DOOM é o exemplo perfeito de um jogo que dá mais valor a uma experiência divertida do que algo que se foque muito na narrativa. Aliás, a mesma não tem muito que se diga, sendo que acordamos num altar ritualístico pronto a ser atacado por demónios, mas conseguimos escapar. Descobrimos que os demónios que estão em Marte possuíram uma cientista que agora está a tentar fazer a ligação entre o nosso mundo e o inferno. Com isto vamos tentar impedir a mesma, mas sem sucesso, e aí temos de ir para o inferno procurar uma chave de modo a trancar os demónios lá e impedir que venham ao mundo dos mortais. Simples e prático!

Como é que o jogo consegue dar a volta a isto?

Uma excelente banda sonora, variedade de armas, glory kills e muito conteúdo para explorar. Por outras palavras, o gameplay. DOOM traz para as gerações atuais muitos conceitos clássicos, nomeadamente uma personagem que não parece presa nos seus movimentos. Para quem estiver habituado aos jogos de hoje em dia, irão precisar de um tempo para se habituarem pois o jogos é para ser jogado de uma maneira rápida, enquanto que tomamos decisões no momento consoante o que acontece e nos aparece à frente. É rápido e fluido e o jogador tem tudo para dominar os monstros do inferno da maneira mais brutal ao seu dispor.

Obviamente que entre lutas temos algum tempo para respirar e é aqui que vamos aproveitar para explorar os mapas que são gigantes e cheios de zonas secretas por descobrir. O jogador que o fizer será premiado com uma série de extras, nomeadamente pontos de talento para a arma, armadura e até mesmo runas que darão bonus passivos. Existem pequenos segredos como os colecionáveis que são versões Pop-Vinyl do Doom Guy com diferentes variantes de fato e cada um deles é um easter egg diferente, mas o maior de todos são as zonas secretas que são ativadas puxando uma alavanca em todos os níveis que desbloqueia uma zona clássica. Os bonus que o jogador pode ganhar normalmente são referentes a exploração, matar demónios e descobrir segredos, por isso o jogador que se der ao trabalho poderá criar o soldado perfeito logo nos primeiros níveis, facilitando todo o jogo daí em diante.

No que toca a matar demónios, e provavelmente esta deveria ser a maior razão pelo qual querem comprar o DOOM, a carnificina que existe no jogo é de fazer crescer pelos nas mãos. Não há demónio que simplesmente caia no chão sem ser desfeito em pedaços. Com armas como a Shotgun, a Super Shotgun, a Chainsaw, a Rocket Launcher e a BFG, garantidamente que os demónios vão passar um mau tempo nas vossas mãos. Sendo que o jogo é feito para o jogador estar com uma mentalidade mais berserk e querer varrer tudo à sua frente, ele terá de ter algum tempo para recuperar vida e armadura. Neste caso a id Software decidiu juntar o melhor dos dois mundos, sendo que todos os inimigos podem levar um glory kill deixando cair pacotes de vida e munições. Se tiverem mesmo à rasca, a moto-serra resolve tudo cortando qualquer inimigo ao meio, fazendo-o explodir num confete de sangue e munições.

Se não bastava a matança para fazer o nosso sangue ferver um pouco, o jogo apresenta a banda sonora mais hyped de sempre para ir numa killing spree. A mesma foi composta pelo Mick Gordon, que pela sua prestação no jogo fez o jogo ganhar a melhor banda sonora num jogo em 2016. Isto serão apenas alguns exemplos:

No que toca à longevidade, DOOM pode ser muito rápido ou muito lento, dependendo da maneira que o querem jogar. Se explorarem tudo, pode-vos durar até cerca de 20 a 25 horas, só a campanha. Se forem algo apressados, podem despachar a campanha em cerca de 4 a 5 horas, sendo o recorde mundial da mesma em modo Ultra Nightmare 1:16:01 (porque há pessoas que chegam a este ponto). Se estão curiosos Ultra Nightmare é a dificuldade mais difícil, em que se morrem não há checkpoints, saves, nada. Começam o jogo todo de novo.

Se procuram algo para fazer depois da campanha, podem optar pelo Arcade Mode ou Multiplayer.

O Arcade Mode consiste numa série de mapas fechados, onde temos todas as armas e upgrades desbloqueados e lutamos entre hordas de demónios para fazer o maior combo e a maior pontuação possível. Se há alguma coisa que possa definir bem o conceito do jogo é este modo. A matança é de tal modo que chegamos a pintar o mapa todo de sangue.

Se querem algo mais competitivo o Multiplayer será o lugar indicado para vocês, visto que traz toda a glória e carnificina e permite-nos direcionar tudo isso contra outros jogadores. O modo não é muito complexo sendo que é padrão em comparação aos first person shooters de hoje em dia. Podemos criar loadouts, escolhendo uma arma principal, uma secundário e o demónio. Sim demónio, porque em todos os mapas vai aparecendo uma runa de vez em quando, e o jogador que tiver a felicidade de a apanhar terá um minuto para dar uso à sua forma demoníaca.

Temos ao nosso dispor uma variedade de mapas com vários modos de jogo, sendo o mais interessante o Warpath, que funciona como uma espécie de Domination, mas com um objetivo sempre em movimento.

As coneção são bastante sólidas o que permite o gameplay online ser fluido e livre para o jogador.

O maior problema do jogo em si deverá ser a nível visual, sendo que foi onde teve de haver o maior compromisso por causa do hardware da Nintendo Switch. Por muito estranho que se pareça, em docked mode o jogo parece pior porque não existe uma resolução maior para o mesmo, levando a que a maneira ideal de se jogar DOOM seja em modo portátil. Este poderá ser o selling point desta versão, visto que se querem jogar o jogo com os melhores visuais, provavelmente optariam pela versão PlayStation 4 ou Xbox One (ou PC se quiserem mesmo ultra high definition), mas se quiserem estar constantemente colados ao jogo e poder continuar com o vosso dia-a-dia, apenas a Nintendo Switch vos permite eliminar o exército do inferno on the go. Por isso considerem DOOM como um jogo para jogar mais em modo portátil do que qualquer outra maneira.

O que mais irão notar, visualmente, é a falta de profundidade de campo quando estão focados em algo mais próximo, e as texturas vão parecer um pouco esbatidas e com falta de profundidade (provavelmente por terem simplificado os bump mappings).

Pro tipo: experimentem desligar a Chromatic Aberration nas opções visuais para tornar os gráficos mais limpos.

Em suma, se têm uma Nintendo Switch, irão querer adicionar este título à vossa coleção. DOOM fornece uma boa quantidade de horas de jogo, seja na campanha, no modo arcada ou até mesmo no modo online. Mesmo com os compromissos visuais que foram feitos, a Bethesda e a id Software demonstram que é possível trazer os títulos third party de qualidade para a consola da Nintendo, mesmo com alguns compromissos. E com isto abre-se as portas a que muitos outros títulos third party comecem a aparecer na Switch.

E sim, estou extremamente contente por ver jogos de teor mais adulto, demonstrando o interesse da Nintendo e apelar ao público mais adulto (mesmo que este só queira jogar Super Mario Odyssey que é super awesome sauce). Isto abre o mercado e aumenta as razões para se querer uma Nintendo Switch.