26 Ago 2018
PS4

Análise – Dogchild

Se este é o vencedor dos prémios Playstation em Espanha, nem quero ver os outros concorrentes…

O estúdio Espanhol Animatoon ganhou os prémios Playstation em Espanha, e teve o privilegio de ver o seu jogo ser publicado na consola caseira da Sony. Esse jogo é Dogchild.

O protagonista é Tarpark, um rapaz com habilidades de parkour e que anda sempre acompanhado do seu cão Tarao. Tarpark perdeu a sua mãe e ficou encarregue de continuar o seu trabalho: ajudar e cuidar de animais. É aqui que começa a história, num parque onde ultimamente andam a desaparecer cães. Com a ajuda do faro de Tarao encontramos almôndegas com sedativos e teremos então de investigar, descobrindo então que não é apenas um simples caso de rapto.

dogchild (1)

Podemos alternar entre Tarpark e Tarao a qualquer momento no jogo, sendo Tarpark capaz de abrir portas e atordoar inimigos com a sua fantástica bola saltitona e Tarao o investigador de serviço, conseguindo encontrar pistas através do olfacto e distrair inimigos para que o seu dono os consiga neutralizar mais facilmente.

O conceito é interessante mas a sua execução é do pior que já vi nos últimos tempos. Basicamente, o jogo não tem nada que funcione como era suposto. Antes de começar a disparar defeitos vou apontar a única coisa que gostei: O Art Work. O ecrã que aparece quando ligam o jogo e o ecrã de game over são lindíssimos, assim como as imagens que representam os dois personagens no HUD. O jogo só tinha a ganhar se fosse em cel shading com essa arte em vez de gráficos de PS2. Não, não estou a exagerar, o jogo tem mesmo gráficos que só seriam bons se fosse lançado na velhinha 128 bits da companhia. As texturas das zonas com relva até não são assim tão más, mas noutros ambientes o nível de detalhe é bastante reduzido. O personagem principal praticamente não tem expressões e não existe grande variedade nos inimigos. Só Tarao é que parece ter algum detalhe, talvez por causa do pêlo.

dogchild (5)

Como referi anteriormente, Tarpark tem habilidades parkour, mas não esfreguem as mãos, a jogabilidade é bastante manhosa. As físicas simplesmente não funcionam em condições. No inicio temos que subir uma simples torre, mas tive bastante dificuldade pois o personagem não reage da forma que era suposto e o controlo não é preciso, o que se torna chato em algumas zonas do jogo em que é preciso mais precisão no salto. Também notei que é rara a vez que subo para algum sitio e não vejo uma parte de Tarpark e entrar dentro de uma parede ou muro. A inteligência artificial é fraquíssima, bastando apenas que saiam do campo de visão dos inimigos para que eles vos parem de perseguir e em algumas alturas, a meio do combate paravam sem razão.

O combate é sem interesse e tal como o resto, não funciona em condições. A “bola” é o nosso único meio de ataque, e para isto temos de apertar L2 + X (para escolher onde a bola irá fazer ricochete) + R2 (para disparar). Isto não é nada pratico, e como se não bastasse, por vezes a bola não faz efeito, mesmo acertando nos inimigos. Quando eles estão no chão irá aparecer um contador, que ao chegar ao 0 eles levantam-se e voltam a investir com os chatos tasers. Para evitar isto temos de os prender enquanto ainda estão atordoados. O papel do cão em combate é distrair os inimigos e intimida-los quando estão no chão, fazendo com que esses não se levantem.

dogchild (2)

No meio disto tudo nem a música se safa. Somos acompanhados de uma melodia que ao fim de 2 minutos já nos cansa de tão repetitiva que é. Não existe voice acting e por vezes quando aparecem falas no ecrã, os personagens nem mexem os lábios.

Provavelmente o pior jogo que joguei nos últimos anos. Não me lembro de outro jogo que funcione tão mal e que tenha tido tão pouco empenho na sua criação. Não existe razão nenhuma para o adquirirem.


 

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