19 Ago 2018
Análises

Análise – Detroit: Become Human

Quantic Dream volta a surpreender. 

E se os robôs se apoderassem do planeta? É uma das primeiras questões que colocamos quando se toca no assunto da inteligência artificial. O mesmo acontece em Detroit, no fictício futuro de 2038, representado em Detroit: Become Human. Neste novo título da Quantic Dream, andróides circulam pelo mundo ajudando os humanos nas mais diversas tarefas. Seja na construção civil, medicina, tarefas domésticas e até mesmo para prazer, estas replicas quase perfeitas dos humanos são quase tão comuns como possuir um telefone.

Para além de benéficos, os andróides também trazem alguns problemas para a humanidade como desemprego, uma das principais fontes de ódio dos humanos contra as máquinas. Existem ainda algumas falhas no sistema dos andróides que lhes dá consciência, o que faz irem contra as tarefas para qual foram programados.

É esse o caso, ou não consoante as decisões que irão tomar, de Connor, Kara e Markus, 3 andróides completamente distintos mas que por diversos motivos terão os seus destinos cruzados. Connor é um andróide especial criado pela CyberLife para trabalhar com a policia, para resolver casos relacionados com deviants (andróides que desenvolveram consciência). Kara tem como função ser uma empregada doméstica, e que acaba por ser comprada por um pai solteiro que para além de problemas com drogas, é violento e não tem problemas em exprimir o seu ódio contra os humanos artificiais, pois culpa-os de lhe terem roubado o emprego e consequentemente destruído a vida. Por fim temos Markus, cuja função é tomar conta de um antigo artista que já se encontra num estado debilitado e precisa da ajuda deste andróide para as mais diversas tarefas do dia a dia.

Sendo um jogo da Quantic Dream, já era de esperar por temas pesados. Em Detroit: Become Human, o enredo gira em torno de racismo contra andróides e sobre humanidade, ou falta dela. Durante todo o jogo, somos confrontados com dilemas morais. Algumas não me custaram, mas existiram outras que me deixaram a pensar bastante. Não querendo levantar muito o véu da história, esta foi a minha história favorita da Quantic Dream, pelos personagens, pela forma como aborda os temas e claro, por nos apresentar um incrível possível futuro, onde tudo foi pensado ao pormenor. Não se trata de um mundo aberto, mas sim de um jogo bastante linear, mas tudo o que foi criado foi pensado ao pormenor, e existem bastantes pormenores do futuro que nos deixam tão boquiabertos como antigas obras que retratavam uma humanidade mais avançada.

Em termos de jogabilidade, não foge muito ao que a produtora nos apresentou na geração passada. Trata-se de um enorme filme onde existem algumas secções que podemos explorar o cenário, Quick-Time Events em situações de acção e diálogos onde podemos escolher as respostas. Baseado nas nossas respostas, descobertas que fazemos e prestação nos “combates”, a história vai desenrolar de forma diferente. Um jogador que explore mais os cenários e que explore mais os diálogos, terá mais opções de progressão do que um jogador que passe o jogo a “correr”. Tal como em Heavy Rain, mesmo que algum personagem morra (o que pode acontecer bastante cedo da história), o jogo continua. Desta vez temos um fluxograma que podemos visualizar, que nos ajuda a ter uma maior noção das ramificações que a história consegue ter, sendo mais fácil de rectificar algo de “errado” que possamos ter feito.

Visualmente é um dos melhores jogos que já tive o prazer de meter a vista em cima. As expressões faciais em quase todos os personagens são de louvar, conseguindo transmitir para o público aquilo que estão a sentir, e todo o mundo envolvente é credível. Um pormenor que achei bastante interessante, é o facto da acção continuar mesmo que estejamos a examinar um objecto ou a olhar para outro ponto do cenário. Mas o ponto mais forte do jogo é sem dúvida a direcção de fotografia. Arrisco-me a dizer que é o jogo com os melhores planos de imagem, sendo que um dos capítulos é um autêntico regalo visual do inicio ao fim. Se gostam dos planos de imagem que Christopher Nolan nos apresenta nos seus filmes, então Detroit: Become Human vai ser do vosso agrado.

Para além de uma excelente banda sonora, o jogo tem um excelente trabalho vocal. Joguei todo no original Inglês, e acabei por experimentar um pouco da versão portuguesa, que tal como Heavy Rain está com bastante qualidade.

Existem alguns extras que podemos desbloquear com pontos que se ganham por desbloquear ramificações na histórias. Modelos dos personagens, artwork, trailers são alguns dos extras que podemos “comprar”, mas os os meus desbloqueáveis favoritos são as pequenas cenas extra que não se encontram na história principal, mas que são algo importantes para compreender mais um pouco mais de Detroit em 2038.

Confesso que não era dos jogos que mais esperava este ano, mas acabou por se tornar num dos meus jogos favoritos da Playstation 4. Tem um dos enredos mais marcantes desta geração de consolas, com um trio de protagonistas que ficarão na história da Quantic Dream e da Sony. A prova de como os jogos podem ser classificados como “arte”.

9.0
Score

Excelente
9

Final Verdict

Mais uma obra-prima da Quantic Dream tanto na história, como no visual. Um jogo obrigatório para quem gosta de histórias repletas de dilemas morais.

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