Dois meses depois, a nossa opinião definitiva do que tem sido jogar Destiny 2, um dos jogos mais aguardados do ano de forma regular.

Demorou mas chegou, quisemos virar Destiny 2 do avesso antes de publicar a nossa análise e por se tratar de um jogo com muito conteúdo, vivemos os últimos dois meses tirando o máximo proveito do jogo para hoje, partilhar convosco a nossa opinião e ajudar a esclarecer algumas dúvidas. Devem ou não entrar no universo da Bungie? Vamos saber já de seguida.

Lançado a 6 de setembro, Destiny 2 chegou às nossas consolas com muita expectativa em seu torno, depois do lançamento do seu antecessor ter sido um pouco aquém do esperado e ter deixado uma imagem muito positiva com o que foi a sua última expansão, uma imagem do que o jogo devia ter sido desde o primeiro dia.

Em Destiny 2, a grande raça inimiga são os Cabal, eles que sempre ficaram um pouco de fora em Destiny, tiveram finalmente direito ao seu destaque, graças à Red Legion, a facção controlada pelo grande vilão desta sequela: Dominus Ghaul.

Ghaul e a sua armada lançam um ataque demolidor contra a nossa casa, o nosso centro de operações e de convívio: a Tower deixando tudo destruído pelo seu caminho. O seu objectivo final é ficar com o poder do Traveler, a nossa fonte de energia (Light). A nossa aventura começa quando perdemos todos os nossos poderes e somos deixados a vaguear pela Terra, sem o nosso companheiro que nos revive sempre que preciso (Ghost), sem Light e sem esperança.

Pelo caminho perdemos contacto com os nossos mentores e os Guardians mais importantes da Tower, Cayde-6, Zavala e Ikora Rey. Cada um deles fugiu e isolou-se de forma a fugir à Red Legion e cabe-nos a nós antes de mais, reunir a equipa e preparar um plano que vise à recuperação da Tower.

Mas antes de tudo começar somos apresentados com as nossas personagens antigas (para quem jogou Destiny) e temos a opção de as editar ou criar novas. As classes essas continuam as mesmas: Hunter, Warlock e Titan. Aqui as diferenças para o primeiro jogo estão presentes nas sub-classes que sofreram alterações. Cada uma muito distinta da outra e com os seus pontos fortes e pontos fracos, é sempre fundamental jogar numa equipa bem equilibrada no que toca às classes.

Se jogaram o primeiro capítulo da série vão sentir algumas diferenças na história e no desenrolar da narrativa uma vez que a Bungie finalmente conseguiu preparar-nos uma campanha sólida com cutscenes com fartura e desenvolvimento dos personagens envolventes, algo que falhou no primeiro jogo. Apesar de seguir uma narrativa simples, sem grandes reviravoltas, preparam o jogador para o que pode vir no futuro em termos de futuras expansões e avançam aos poucos a história do maior foco do jogo, o Traveler, uma grande incógnita que é desvendada muito aos poucos.

Mas como muitos de nós não jogamos Destiny tanto pela sua história mas sim pelo que vem a seguir, vamos entrar na componente mais forte do jogo, o grinding e as centenas de horas que alocamos em actividades.

Com o comentário anterior não queremos de qualquer forma tirar destaque à história e à sua importância, é claro que é importante e deve ser o nosso primeiro passo no jogo (até porque muitas coisas só se desbloqueiam depois de a terminarmos), mas a verdade é que quando acaba a cutscene final o primeiro pensamento é: “Ok, agora é que isto vai ser a doer…”.

Depois de terminada a campanha descobrimos que temos muito conteúdo para explorar. As Milestones tornam-se a nossa base e o grande foco é atingir o Power (deixou de se usar a palavra Light para definir o nosso nível) mais alto, o mais depressa possível com a armadura e armas da nossa eleição. Por enquanto o máximo que podemos atingir é 305 e chegar até lá ainda demora uma vez que chegando a uma certa fase do jogo, todo o progresso fica mais lento e repetitivo, ficando sempre à espera do reset das Milestones para recebermos equipamento melhor. As Milestones são o novo guia dos jogadores em Destiny 2, através deste ecrã conseguimos ver que objectivos temos por cumprir e que loot podemos receber em cada um. Estas dividem-se em eventos SemanaisDiários ou até mesmo Quests.

Chegando a 305 com o primeiro personagem vão dar por vocês a criar as outras classes que vos estão em falta e desta vez, o progresso já se torna mais rápido, um a vez que podem passar as armas de um personagem para o outro, subindo assim o Power muito mais rápido.

Com a chegada de Destiny 2 chegaram também novas áreas, sendo elas Titan, IO, Nessus, Earth e a Farm, o novo espaço social. A Farm apesar de nova e até bem conseguida, acaba por cair no esquecimento depois de terminada a campanha. As restantes localizações estão mais belas e com melhor detalhe do que muitas áreas do primeiro jogo. Em cada uma delas existe um personagem NPC que nos passa tarefas diárias. Completando estas tarefas recebemos Tokens que podem ser depois entregues em troca de equipamento específico da região. Existem outras formas de recolher estes Tokens como por exemplo Public Events ou cofres que existem espalhados pelo mapa.

Falando de Public Events vamos ter a uma das actividades mais divertidas de Destiny 2, aqui, uma melhoria clara para o primeiro jogo. Não só estão desafiantes como estão mais diversos e melhor que tudo…aparecem identificados no mapa! Acabou-se as patrulhas desgovernadas à procura de eventos de forma completamente aleatória.

Ainda dentro do PvE (player versus environment), temos as Strikes, que também já faziam parte do jogo original. Estas estão mais longas e mais complexas, são divertidas de jogar mas caiem depressa no esquecimento. Chegando a um certo nível de Power deixa de fazer sentido repetir os Strikes porque o loot que dá não está bem equilibrado. Mais depressa focamos tempo a repetir os Public Events por estes serem mais rápidos e com melhores chances de ter uma boa recompensa.

O Nightfall também continua presente, o evento semanal onde os mais corajosos precisam de completar um strike em contra relógio, com modificadores pelo meio. É ainda um dos modos de jogo mais desafiantes e que mais foco exigem. Muitos não gostaram da adição do contra relógio mas a verdade é que isto veio elevar o desafio a outro nível, é preciso jogar bem e rápido, como é um modo de jogo com recompensas superiores faz sentido que seja mais difícil.

A primeira raid de Destiny 2 dividiu opiniões entre toda a gente com quem joguei. A verdade é que está diferente de todas as outras e apesar de visualmente muito apelativa e com complexidade pelo meio (se calhar até de forma desnecessária), é uma raid que não tem forma de agradar a toda a gente. Nas anteriores o percurso até ao final sofria de confrontos pelo meio, com puzzles e combates com bosses, na nova raid, Leviathan isso não acontece da mesma forma. Os desafios estão lá pelo meio mas lutas contra bosses em si, só mesmo o grande chefe no final: Calus.

O facto de ser uma raid com vários caminhos dá-lhe uma dinâmica interessante, porque a partir da primeira secção do jogo, podemos fazer atalhos para outras áreas do mapa mas isso para alguns não é tão bem visto porque também provoca muita confusão. Para além deste pormenor, os desafios que temos pela frente conseguem ser giros mas depressa perdem algum interesse. Até porque nem sabemos ao certo porque é que os fazemos, eles estão ali sabemos o que temos de fazer mas não o porquê, falta algum sentido no sentido da raid.

Para os mais fanáticos por PvP (player versus player), o Crucible continua presente mas com um downgrade significativo ao que tínhamos no primeiro jogo. A começar logo por algo que não faz qualquer sentido: não podemos escolher o modo de jogo. Apenas existem duas opções: Quickplay em que de forma aleatória vamos jogar um Control, Supremacy ou Clash e Competitive onde existem dois modos de jogo Countdown e Survival. Não se percebe porque é que foram simplesmente tirar a opção de escolher o que queremos jogar, deixar isso às mãos do destino (oh the irony) é errado.

O PvP em si parece estar mais fácil, um jogador menos experiente com as armas certas e a jogar colado à equipa, consegue facilmente aguentar-se, desde que esteja em equipa. Quem joga sozinho dificilmente se aguenta no Crucible. Outro desnível são as armas, existem três armas que são constantemente usadas por toda a gente que joga PvP, infelizmente a Bungie não soube balancear as armas no PvP e desta forma tirou alguma magia a este modo de jogo.

Visualmente e sonoramente o jogo está brilhante. Corre muito fluído e a jogabilidade continua a ser um dos seus pontos mais fortes, é divertido de jogar, super viciante com os amigos e com uns visuais fantásticos. Para mim que jogo Destiny desde a alpha do primeiro, continuo a ver o ponto mais forte do jogo o factor jogar com os amigos. Dou por mim muitas vezes a estar no jogo apenas para socializar ou ajudar alguém a fazer um evento. É claro que é viciante o grinding para tentarmos ter o nosso equipamento e armas de sonho, mas se tivesse que jogar sozinho, nunca jogaria tanto Destiny como jogo.

Apesar de haverem algumas novidades muito bem vindas como por exemplo o Fast Travel dentro do planeta, ou não termos que ir a órbita para irmos para outro planeta, nem tudo são maravilhas, um dos grandes problemas da Bungie com Destiny 2 é o facto de ter tirado imensas funcionalidades do Destiny (Year 3). Entre imensas coisas como por exemplo o pormenor do PvP que falámos à pouco, a selecção de modo de jogo, foi também retirado o Record Book, um livro com uma série de objectivos que íamos desbloqueando ao longo do tempo e que depois nos dava emblemas ou outros items, ajudava a dar mais longevidade a um jogo que hoje em dia está em ritmo on hold, até à chegada da próxima expansão, no próximo dia 5 de Dezembro.

Em suma, Destiny 2 tem imenso potencial tal como seu antecessor mas falha no capítulo das lições aprendidas, era esperado que a Bungie já se apresentasse com algo mais organizado depois do que aprendeu no primeiro jogo mas os erros repetiram-se. Talvez um prazo mais apertado no lançamento do jogo fizeram com que ele tenha sido lançado algo incompleto e de certeza que daqui por dois ou três anos, tal como com o primeiro, vamos ter aqui um excelente jogo. Até lá, é um grande jogo para jogarem com os amigos mas o conteúdo que existe vai se esgotar depressa e não será tão viciante como o primeiro Destiny (Year 3).

A satisfação de completar os eventos e de receber o loot é boa mas é preciso mais Bungie, é preciso mais. Esperamos que o próximo DLC venha resolver já algumas das melhorias pendentes e fazer com que venha aí mais umas centenas de horas em Destiny 2.