Imaginem um Battlefield com zombies. Ok. Agora imaginem um Call of Duty com zombies. Já existe? Bolas…

Pois é. Dead Alliance é tudo aquilo que não pedimos mas que acabou por chegar a nós. Mais um jogo que usa e abusa do conceito dos mortos vivos aliados a diversos modos online que não traz nada de novo nem sei bem porque é que existe sequer.

Por esta altura, já podemos dizer que vimos de tudo. Pelo menos o que mete zombies à mistura. Seja em Zombi, Left 4 Dead, Dying Light, Dead Island, Dead Rising, Killing Floor, Call of Duty, etc. As opções são infinitas e infelizmente longe de serem finitas, porque ainda estão a caminho mais dois títulos “sonantes” que englobam moribundos. Esta temática já cansa e já foi tão massacrada que acredito que se um dia houver um apocalipse zombie, os pobres coitados nem vão saber o que lhes caiu encima. Desde os tempos de George Romero que temos vindo a ser inundados por filmes e histórias do género, mas só a partir dos anos 00 é que a coisa teve o seu boom. Depois de Shaun of the Dead o termo zombie tornou-se trivial e cliché demais. Uma nova porta abriu-se para explorar este universo paralelo. Evil Dead e Resident Evil já não chegava. Precisávamos de mais, muito mais, e foi a partir da oitava geração de consolas que fomos bombardeados com jogos de zombies por todos os lados. Até um jogo de cowboys foi motivo suficiente para se “zombificar”. Enfim, vamos à análise que é para isso que aqui estão.

Dead Alliance é um jogo multiplayer bastante previsível mas com um catch diferente. Podemos direccionar as hordas de zombies contra os nossos inimigos e torná-los quase que nossos aliados. Não acho este catch suficientemente relevante para destacar este jogo de tudo o que já foi feito até então, acaba por ser apenas mais uma pequena ideia implementada numa peça banal e comum.

Se não fosse pela típica comunidade online que liga a tudo menos ao espírito de equipa e ao ridículo grind que este jogo tem, até que poderíamos passar um bom bocado, mas infelizmente esse bocado dura pouco.

O jogo não é mau mas é facilmente esquecível. Perde muitos pontos em muitos parâmetros que são cruciais e previsíveis nos jogos nos dias de hoje. O modo single player por exemplo, não tem modo de campanha. Apenas um modo com bots para treino ou survival. E é apenas isso.

No modo multiplayer, jogamos numa equipa de 4 contra 4 juntamente com os zombies que podemos atrair contra o nosso inimigo usando granadas para esse efeito. É estranho mas é exactamente isso que acontece. Para além de cilindramos tudo o que nos aparece à frente com todo o tipo de arsenal disponível (que de início não é lá grande coisa), podemos ainda usar granadas para influenciar os zombies a irem ao encontro da equipa adversária. Soa estranho mas até que é divertido. Mesmo quando o inimigo nos tenta cercar com estas criaturas putrefactas, dá gozo limpar o cenário por completo.

Podemos escolher uma de três classes diferentes. Classe leve onde possuímos menos vida mas somos mais rápidos. Classe média que acaba por ser a mais bem balanceada e a classe pesada onde basicamente temos mais vida mas somos muito mais lentos em relação às duas últimas classes. No que toca ao arsenal disponível, todas as armas militares básicas dos FPS estão presentes e podemos escolher uma arma principal, uma arma secundária, o tipo de granada que queremos usar, skills e perks que servem de bónus para o nosso personagem.

Posto isto, temos ainda um grind incessante e muito injusto para nós jogadores. Ganhamos muito pouco dinheiro e experiência durante as horas que pomos neste jogo. A evolução é muito lenta e precisaríamos de semanas de jogo até conseguirmos a quantia suficiente para comprar uma metralhadora como deve de ser. O dinheiro que conseguimos vai dando para um perk aqui, uma granada ali, mas nunca chega para nos tornarmos naquele ultimate warrior com as armas mais badass do servidor. Antes pelo contrário, partilhamos sempre do espírito plebeu que emana entre nós.

Fora isso, Dead Alliance não parece oferecer nada mais. Os mapas são genéricos e curtos, mas até acabam por ser divertidos. Os gráficos e a banda sonora não são nada do outro mundo e nem nos vai ficar na memória pela positiva. Não vos vai ficar na memória de todo.

No modo online temos à nossa disposição seis diferentes modos de jogos, sendo eles King of the Hill, Deathmatch, Free for All, Capture the Flag, Attrition e Capture and Hold. Deathmatch foi a escolha lógica e ideal para mim, e pelo que vi, para a maioria dos jogadores online.

Se tivéssemos sempre o mesmo grupo de amigos online para jogar connosco, talvez ainda aguentássemos o grind e competíssemos uns com os outros, mas dadas as inúmeras opções de jogos melhores que temos, quer-me parecer que este jogo vai cair nos esquecimento num instante.