Deixamos de lado as armas futurísticas de Call of Duty: Infinite Warfare e voltamos atrás no tempo até à Segunda Guerra Mundial, com o novo Call of Duty: WWII, o mais recente título da Activision, criado pela Sledgehammer Games.

Depois do sucesso tremendo em entregas anteriores como Call of Duty 3, Call of Duty 4: Modern Warfare e Black Ops, a Activision procura recuperar a confiança dos jogadores voltando a uma era histórica que teve impacto no mundo actual em que vivemos, a Segunda Guerra Mundial.

Numa altura em que temos jogos em mãos como Destiny 2, Battlefront 2, Wolfenstein 2, fica difícil a escolha do FPS definitivo, aquele que mais tempo nos agarra e obriga a voltar vez após vez. Com um mercado tão cerrado, a Activision acaba por sair por cima com Destiny 2Call of Duty: WWII no seu catálogo. Fiquem a saber porque é que devem dar uma oportunidade a Call of Duty: WWII, um título que nos veio surpreender pela positiva.

Começando pela história, e tal como já tínhamos dito, Call of Duty: WWII insere-nos na Segunda Guerra Mundial e claro está não podia começar de outra forma, que não fosse com um desembarque na Normandia que só nos faz lembrar o clássico Medal of Honor: Allied Assault. Os primeiros minutos inserem-nos numa violência extrema e colocam o jogador numa tensão constante. Durante praticamente todos os momentos da campanha, senti que a Sledgehammer Games conseguiu criar um ambiente perfeito de guerra, uma sensação próxima de quem tão lamentavelmente teve que combater as batalhas de outras pessoas.

Como já vem sendo habitual na série Call of Duty, WWII está recheado de cenas que parecem tiradas de um filme de Hollywood, é uma experiência que ultrapassa o mundo dos vídeo-jogos para o cinema. O detalhe gráfico dos personagens e dos cenários que atravessamos é de levar ao limite as nossas consolas. Alguns deles quase foto realísticos, parece que estamos dentro de um filme. Em termos de mecânicas temos uma funcionalidade muito interessante em que cada elemento da equipa contribui directamente na nossa jogabilidade. Cada um dos nossos companheiros tem uma habilidade especial, seja fornecerem-nos munições, marcar os inimigos no campo de visão, ou dar-nos pacotes de vida. Por vezes no campo de guerra ficamos sem munições e dá sempre jeito alguém atirar-nos um recarregamento. Uma dinâmica interessante que esperamos continuar a ver em COD, essa e o facto de deixar de existir o habitual regenerar da vida. Em WWII é um autêntico vive ou morre, ou se preocupam em guardar pacotes de vida para se curarem, ou rapidamente vão cair no campo de batalha, não existe cá o esconder atrás de uma árvore até a vida recuperar milagrosamente.

A narrativa gira em torno de um grupo de soldados e nós, o jogador, vivemos grande parte da aventura a partir dos olhos de Ronald “Red” Daniels. Um mero soldado perseguido por fantasmas do passado que é movido pela união do grupo e uma extrema vontade de regressar a casa. O objectivo do grupo é chegar ao Rio Reno e impedir as forças alemãs de conquistarem o pouco que sobra de França. As cidades que atravessamos estão todas destruídas e sobre fogo constante. É uma sensação incrível, as explosões sempre acontecerem, o som dos tiros à distância, os gritos, é uma atmosfera brutal e faz com que a campanha nos agarre do inicio ao fim…apesar da história em si não ser nada que nos agarre demasiado.

Os personagens são carismáticos e conseguimos criar laços mas a história arrisca pouco e roça o cliché em certos pontos, não houve grande risco na sua escrita. É o clássico drama de guerra do soldado que quer regressar a casa, para os braços da sua mulher. O que sobressai é claramente o sentimento de camaradagem e os fantásticos níveis que vamos atravessar onde não vai faltar variedade e qualidade em termos de acção.

A campanha não sendo demasiado curta ou demasiado longa, senti que me preencheu com satisfação, foram umas boas horas de diversão que apenas podiam ser mais perfeitas se a história em si fosse mais elaborada, um jogo que tem um clima tão dramático pedia uma história mais dramática, é preciso trazer a escrita de Hollywood para um jogo de Hollywood.

Terminando a campanha temos o online, onde grande parte de nós acaba por passar mais tempo. Ou no online jogador contra jogador ou no modo Zombies.

Assim que aterramos no modo online, chegamos a uma das melhores coisas em COD:WWII, o Headquarters. A Sledgehammer Games preparou-nos uma área social em que podemos estar com os nossos amigos e estranhos seja a socializar ou a fazer vários tipos de mini-jogos, ler correspondência, aceitar contratos, comprar armas, uma série de opções. É um exemplo para outros jogos com este tipo de componente social, uma zona comum completa de actividades. (Sim Destiny 2, estou a olhar para ti.)

Dentro do multijogador temos logo como ponto de partida a escolha da nossa Divisão, conforme o tipo de jogo que gostamos de ter, sendo elas: Infantry, Airborne, Mountain, ArmoredExpeditionary. Desde artilharia mais pesada como lança-roques, passando por armas de longo alcance como snipers ou as clássicas metralhadoras de contacto próximo, o que não falta é variedade para todos os estilos de jogadores. Depois de escolhida a nossa Divisão existe um longo percurso carregado de horas atrás de horas de jogo.

À medida que progredimos na evolução da nossa Divisão vamos desbloqueando novas habilidades como por exemplo as Scorestreak, ataques especiais que são desbloqueados à medida que matamos inimigos sem morrer pelo caminho. E claro para além desta progressão temos a evolução de todo o arsenal com que jogamos. As armas a que damos mais uso vão melhorando desbloqueando modificações que nos dão vantagem no campo de batalha.

Os modos de jogo que temos disponíveis são os já clássicos deste género como o Team Deathmatch mas com algumas novidades, o modo War (um dos nossos favoritos) e Gridiron. No modo War temos uma série de três objectivos para cumprir em equipa onde o grande vencedor é quem souber jogar melhor em equipa e de forma mais estratégica. Em Gridiron estamos num modo mais descontraído, temos que transportar uma bola até à baliza adversária, uma espécie de futebol versão Segunda Guerra Mundial com tiros pelo meio.

Como melhoria é preciso manter o multijogador mais estável uma vez que chegámos apanhar jogos com muita latência numa fase inicial do jogo. Recentemente sentiu-se o trabalho da Sledgehammer Games com a chegada de servidores dedicados e removendo o P2P, algo que vinha a deteriorar muito a experiência.

Call of Duty: WWII está carregado de conteúdo para quem procura o seu próximo FPS. Um modo multijogador tão forte e completo sustentado por uma campanha simples mas funcional, tornam num todo um jogo obrigatório. Mas não podemos terminar sem falar claro, do modo Zombies.

Desta vez são zombies Nazis, e o modo de jogo foi re-inventado com a chegada de classes novas. Os cenários estão elaborados e complexos e obrigam-nos a conhecer cada canto e a trabalhar em equipa se queremos sobreviver o máximo possível. É o modo de jogo mais exigente dos nossos dotes como jogador. Saber resistir ao medo, à tensão, reflexos rápidos e saber quando fugir.

Se gostam de FPS e estavam indecisos em relação ao que comprar, Call of Duty: WWII merece a vossa atenção. Especialmente se a temática da Segunda Guerra Mundial vos cativa pelo tipo de cenários e armas ao vosso dispor. Conteúdo não falta e horas de diversão também não, numa altura em que o multijogador já está melhorado depois de um arranque menos feliz.