19 Mai 2020
PS4

Análise – Call of Duty: Infinite Warfare

Mais um ano, mais um Call of Duty, desta vez da Infinity Ward.

Mês de Novembro, ou no vocabulário dos aficionados de First Person Shooters, novo Call of Duty. Os jogadores queixaram-se da abordagem demasiado futurista que os títulos da série tiveram nos últimos tempos, por isso a Infinity Ward decidiu criar um jogo ainda mais futurista que tudo o resto que já foi feito. Como respondeu a produtora depois de tantas críticas negativas ao seu primeiro trailer e ao facto da série rival ter trazido a acção de volta à 1ª grande guerra?

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Confesso que fui daqueles que franziu o nariz quando viu o primeiro trailer, mas ao fim de duas missões da campanha, fiquei rendido ao setting do jogo. A história passa-se num futuro onde os recursos na Terra são escassos devido à sobrepopulação e a solução para o problema é procurar novas condições nos restantes planetas do sistema solar. Long short story, existem duas facções: A UNSA (United Nations Space Alliance), uma organização que trata de burocracias relacionadas com a exploração espacial e facção inimiga, SDF (Settlement Defense Font). São essas forças que o nosso personagem, Capitão Nick Reyes e a sua tripulação têm que combater sob o comando da SATO (Solar Associated Treaty Organization), forças armadas que se destinam a defender a UNSA.

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Se esperam por horda infindáveis de inimigos podem esquecer isso, pois Infinite Warfare foca-se mais no desenvolvimento de personagens do que propriamente em chacina. Cada personagem do leque principal está bem trabalhada e o espírito de camaradagem dos primeiros títulos da série está presente, fazendo soltar uma manly tear aqui e ali. O que me desiludiu na história foi mesmo o vilão, Admiral Salen Kotch que ou foi muito mal escrito, ou então Kit Harrington fez um péssimo trabalho na sua representação. Na verdade, não sei se gosto ou não do personagem porque é muito “sem sal”. Mas “Jon Snow” não é a única grande estrela no jogo, o campeão de UFC Connor McGregor também marca presença no lado da SDF, mas o seu papel acaba por passar bastante despercebido. Do lado dos “bons” temos Lewis Hamilton que faz de engenheiro da nave. Estes cameos servem apenas para promover o jogo, não trazendo prestigio nenhum à narrativa, até acho que a história tinha ganho mais se o actor de Salen Kotch fosse outro.

A campanha de Infinite Warfare foca-se no lado mais humano dos soldados.

Para além da história, o ambiente é outro ponto forte da campanha e talvez o mais importante. Seja a explorar um planeta ou um asteróide, o jogo consegue oferecer um enorme sentimento de explorar o desconhecido. Comparo esse sentimento ao que tive ao ver o filme Interstellar de Christopher Nolan. A jogabilidade em solo é praticamente a mesma dos títulos anteriores, mas em gravidade 0, o caso muda de figura. Eu gosto muito dos FPS tradicionais, mas essas secções deram-me um enorme entusiasmo. A movimentação do personagem está muito bem conseguida e é-nos dado um gancho, que nos permite chegar mais rápido a uma superfície e pode ser usado em inimigos, permitindo executá-los. Existem também batalhas espaciais, outra grande adição à campanha. As naves controlam-se bastante bem e as batalhas são bastante empolgantes.

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A duração da história é o normal, 6-7 horas, mas ainda existem missões secundárias, curtas missões que utilizam todos os elementos de jogo (não é como no Ghosts que só se utiliza o cão 1 ou 2 vezes) e não são nada cansativas.

Graficamente é mais do mesmo. Durante as cutscenes tudo é perfeitinho, mas durante o jogo em si nota-se que a série precisa urgentemente de um motor novo, feito de raiz. À primeira vista podem não achar assim tão mau, pois por predefinição o film grain está no máximo para disfarçar as imperfeições.

Já não é tão fácil distinguir qual a produtora por detrás do jogo.

Apesar do jogo ter sido feito pela Infinity Ward, as vertentes multijogador transpiram Treyarch. Longe vai o tempo em que se conseguia identificar qual a produtora atrás do jogo pelos seus elementos e com isto, quero começar a falar sobre o modo Zombies. Sim, o modo que começou em World at War como uma brincadeira e arrastou-se por todos os Call of Duty da Treyarch, tornando-se um dos modos mais populares da produtora, acompanha este jogo da Infinity Ward, num spin off intitulado: Zombies in Spaceland. Neste mapa assumimos o papel de um de quatro actores nos anos 80, que durante uma audição para um filme de zombies, o seu realizador Willard Wyler faz um ritual que nos “suga” para dentro do filme. A partir daqui temos de lidar com várias vagas de mortos-vivos num parque temático. Todas as mecânicas dos modos zombies anteriores estão presentes: fechar janelas, abrir novos caminhos, dezenas de easter eggs, power ups, mas com a adição de várias máquinas de arcada funcionais. Como fã desta década, confesso que adorei este mapa. Consegue misturar toda aquela magia e loucura dos anos 80, zombies e a imagem futurista que se tinha naquela altura. Ah, e o David Hasselhoff está neste mapa, há melhor razão para o jogarem?

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No modo multiplayer podemos contar com uma experiência muito semelhante a Black Ops III. Os saltos, correr nas paredes, até as habilidades dos personagens estão lá. Para além dos mapas e armas diferentes, talvez a maior novidade sejam as Team Missions que funcionam como os challenges pessoais só que contam para todos os membros da equipa. Estas missões para além de desbloquearem armas e skins, também combatem os rage quiters, pois mesmo que o jogo à partida esteja perdido, dá-nos uma razão para continuar a lutar.  As supply drops de Black Ops III vieram para ficar, só que em Infinite Warfare são mais justas pois caso nos calhem itens que não nos façam falta, podemos fazer salvage e criar novos a partir dos materiais recolhidos dessa forma. De resto, é a formula Call of Duty na integra: Fazer pontos sem morrer para conseguir chamar scorestreaks, desbloquear novos perks, melhorias para as armas, completar desafios e desbloquear novos emblemas para exibir no perfil. Ser quase igual ao anterior não é necessariamente mau, pelo contrário, o multiplayer de Infinite Warfare é tão divertido como qualquer outro da série, o único problema para mim é o futurismo, ponto que elogiei na campanha. Neste género de combates multiplayer prefiro ter os pés assentes na terra, deixando os saltinhos para outros títulos mais fantasiados.

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Por muito em eu critique, Call of Duty consegue sempre oferecer uma experiência agradável, seja ela a solo, em cenários co-op ou em modo competitivo. Tal como no ano passado, a campanha é o ponto forte deste jogo pelas batalhas espaciais e em gravidade zero, assim como pela história que teve um foco diferente. O modo online não sofreu muitas alterações, mas verdade seja dita “equipa que ganha não mexe”. Contudo, o que é demais cansa e num aspecto geral, a série precisa urgentemente de remodelações.


Jogo analisado numa Playstation 4

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