25 Ago 2018
PS4

Análise – Bound

Imaginem a Natalie Portman em Black Swan a dançar numa tela de Kandinsky.

Quando joguei Bound pela primeira vez pensava que estava a jogar uma sequela esquizofrénica de Journey feita por um estúdio que esteve atento às aulas de como fazer platformers não tradicionais que puxam por outros sentidos do casual jogador que não a destreza, reflexos ou até habilidade para jogar. E não é que estava mesmo?

BOUND

Este estilo de jogo interactivo apesar de já não estar na moda, não cai em desuso, e continua a cumprir com o dever de fazer-nos ter uma experiência nossa, à nossa maneira. Quando se sai do espectro de jogo tradicional, tudo é possível, e por mais estranho ou diferente que um jogo seja, desde que haja ali um fio condutor, tudo acaba por fazer sentido. Portanto, não se deixem enganar pela arte desconstrutiva e subversíva do jogo. Têm mesmo de o jogar para o entender.

Bound apesar de ser maioritariamente um platformer, não cabe totalmente na caixinha desse género, saltando para fora dela constantemente com as suas dinâmicas abstractas e por vezes com um gameplay desenfreado q.b. Tinha-vos dito que este jogo lembra a Natalie Portman em Black Swan a dançar numa tela de Kandinsky, e é mesmo isso que eu sinto quando jogo Bound. Aqui somos uma bailarina de ballet que está em constante ritmo de dança à medida que vai avançando num cenário puramente abstrato e por vezes alucinante. Vamos saltando de plataforma em plataforma e progredindo através dos 6 níveis que este jogo nos tem para oferecer à medida que vamos colecionando Memory Shards.

BOUND

Apesar dos cenários não serem lineares, vamos analisando o que cada um nos quer dizer ao longo do jogo, com espaço para reviver memórias do personagem e entender melhor a sua história. E é isto que o jogo nos quer mostrar, uma história contada com pouquíssimas palavras, apreciada por formas, cores e músicas. Aqui não existem inimigos, nem bosses que nos façam ficar frustrados por morrer vezes sem conta como seria de esperar de um platformer. Apesar de algumas plataformas por vezes pedirem um pouco mais de precisão e atenção, aqui apenas se desfruta e se vive uma experiência.

BOUND

O jogo faz-nos pensar que estamos a viver um sonho, em que tudo se molda e muda de cor consoante o que nos vai na mente, criando ambientes diferentes durante o percurso. A camera aliada à música e à movimentação do personagem, faz com que Bound seja sublime do início ao fim, e que desperte em nós emoções que muito dificilmente um platformer casual despertaria.

BOUND

A bailarina misteriosa com quem jogamos, possui passos de dança de fazer inveja a um Billy Elliot, estando sempre em sintonia com o piano subtil que incrementa o plano de fundo de Bound. Os seus passos, acabam sendo fulcrais para o desempenho do jogo. Determinados movimentos afastam energias negativas e outros até ajudam a avançar nos níveis e descobrir atalhos.

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Infelizmente, esta experiência tem uma duração média de hora e meia, o que poderá afastar muitos jogadores a gastarem dinheiro em algo tão efémero. Não desanimem, pois o replay value de Bound é outro ponto forte do jogo.

Num segundo playthrough podemos variar a ordem dos níveis, com algumas diferenças de arquitectura e esquemas entre eles. Podemos também aventurar-nos num speedrun ou entrar no modo fotografia, tirando máximo de proveito desta obra de arte oferecida pelos estúdios Plastic.

BOUND

Bound dá de si tudo aquilo que podemos esperar, e promete não desanimar o mais céptico dos jogadores. À primeira vista, passa-nos ao lado, sendo ofuscado por muitos títulos AAA, mas se o olharmos com olhos de ver e jogá-lo descomprometidamente, iremos ver que estávamos a perder uma das melhores experiências da Playstation 4.

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