26 Out 2019
PS4

Análise – Baldur’s Gate e Icewind Dale Collections

Os clássicos de D&D finalmente nas consolas.

Com o anúncio do terceiro título, era mais que esperado que uma remasterização dos primeiros títulos viessem a caminho. Na verdade, isto trata-se de um port para consolas da remasterização, lançada em 2012 para PC. O Jogo original foi lançado em 1998, há mais de 20 anos. Juntando isso ao facto de ser um jogo baseado em Dungeons & Dragons, e ainda por cima 2ª edição, faz com que seja um jogo para um público bastante específico.

Baldur’s Gate trata-se de um RPG puro, e para os padrões de 1998, o mais parecido possível com D&D. Começamos por criar um personagem, e tal como na versão de mesa, é sempre mais divertido fazer tudo manual em vez de criarmos um pré-feito. Sexo, raça, classe e alguns aspectos da nossa personalidade, é isto que vai ditar a nossa performance em combate e nas iterações com NPC’s. A nível de customização da aparência, é tudo muito limitado. Podemos apenas escolher uma foto para nos identificar na party, depois apenas conseguimos alterar as cores da nossa sprite. Podemos ainda criar logo os restantes membros da equipa, mas não o fiz, por acho muito mais piada ir encontrando e recrutando companheiros. Uma campanha repleta de traições, emboscadas e claro, exploração. Para quem joga D&D, tudo parece normal, mas para quem se está a aventurar neste mundo pela primeira vez, pode ficar admirado e até encontrar algumas dificuldades na progressão. Há coisas que não são tão lineares quanto isso, e por vezes nem toda a gente nos diz a verdade, ou então temos que escolher o lado que achemos mais correto, ou que nos dê mais jeito. Por exemplo, por várias vezes fui enviado para matar alguém que estava a causar desacatos, mas acabei por resolver as coisas de outra forma (pacifica ou não), por ter ouvido e compreendido os dois lados. Baldur’s Gate e Baldur’s Gate II vêm com todas as expansões incluídas, por isso contem com mais de uma centena de horas de conteúdo no pacote.

Icewind Dale & Planescape: Torment é o outro pacote que recebeu o mesmo tratamento, e pouco mais existe para acrescentar aqui visto terem o mesmo motor, e serem do mesmo género. Icewind Dale é bastante semelhante A Baldur’s Gate, mas passa-se na campanha “Forgotten Realms” de Dungeons & Dragons. Planescape: Torment é que difere bastante dos restantes. Passa-se numa Plane diferente, com um setting bem mais apocalíptico, e a história é muito mais focada no protagonista. “Nameless One” é como somos conhecidos. Somos um ser imortal que sempre que é mortalmente ferido, volta à vida mas sem memórias. Ao longo da jornada, vamos encontrando novos companheiros para a equipa, e quase todos eles têm um passado connosco, só que não nos lembramos. Apesar de adorar histórias clássicas dentro de D&D, Planescape é aquele que me dá sempre mais gozo, não só por este setting mais sci-fi, mas também pela escrita que é soberba.

O combate exige muita preparação e os controlos não ajudam assim muito. São jogos feitos de raiz para PC, e mesmo depois das melhorias das enhanced editions, foi complicado adaptar os controlos para consolas. Ao fim de muitas horas agarrado ao jogo, as coisas já fluíam bem melhor, mas trata-se de um jogo complicado, com uma enorme curva de aprendizagem, e sempre que cometemos um erro dá-nos uma frustração enorme, pois um simples descuido pode resultar logo na desgraça de toda a equipa. Para quem apenas interesse na história, tem sempre a dificuldade story mode (menos em Planescape), onde os personagens ficam carregados de buffs, o que torna o jogo uma tormenta, mas para os inimigos.

Em termos gráficos, não há muito que se possa fazer num deste género com 20 anos, mas fica muito bem em HD. Joguei na Switch e onde tive problemas gráficos foi no modo portátil. Podemos aumentar o tamanho da letra, mas mesmo assim as sprites são muito pequenas. O que salva, é um rebordo que podemos colocar à volta dos personagens para que os consigamos identificar melhor.

Baldur’s Gate I & II, Icewind Dale e Planescape: Torment para as consolas é um misto de emoções. São quatro dos melhores títulos dentro do género, mas perdem muito quando jogados num comando. Se estão interessados em entrar em D&D, comecem pela versão de mesa depois passem para aqui, pois se fizerem o processo inverso, vão perder todo o interesse que têm no jogo.

Baldur's Gate e Icewind Dale Collections
7 / 10 Pontuação
Resumo
Se tiverem um computador, joguem nele! Mas se têm vontade de jogar e apenas têm consolas, conseguem faze-lo mas vão ter demasiadas frustrações nas primeiras horas de jogo.
Rating7

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