26 Out 2018
PS4

Análise – Assassin’s Creed Odyssey

Odyssey traz-nos um novo épico por terras Gregas.

Para além de colocar a série novamente no topo, Assassin’s Creed Origins abriu uma nova janela de possibilidades para futuros títulos. Quem não gosta de uma boa aventura num mundo aberto repleto de coisas para fazer? Origins teve isso tudo, apesar de precisar de alguns ajustes. A Ubisoft jogou pelo seguro em Assassin’s Creed Odyssey, seguindo a mesma linha do anterior, melhorando alguns aspectos.

assassin's creed odyssey
Espartanos também fazem Leap of Faith.

Começando pela primeira mudança na série: podemos escolher entre duas personagens, Alexios ou Kassandra. Escolher um dos irmãos apenas muda alguns aspectos da história e das suas personalidades, mas trata-se da mesma jornada independentemente do que escolham. Nesta análise vou falar de Kassandra, pois foi a ela que dei a tarefa de vaguear pela Grécia. Kassandra é de naturalidade espartana, mas por causa de uma tragédia que se sucedeu em criança, acabou por crescer em Kefalonia como uma Misthios, uma mercenária que aceita qualquer tipo de trabalhos a troco de boas quantias de Dracma.

Após algumas reviravoltas na sua vida, Kassandra vê-se no meio da guerra do Peloponeso, a mítica guerra entre Atenas e Esparta. Pelo meio e longe das luzes da ribalta, o culto do Kosmos opera dentro das duas facções e acaba por ser um terceiro elemento e a maior ameaça para Kassandra. É tentando reunir a sua família e ao mesmo tempo desmascarar o culto que Kassandra parte em viagem pelas mais lendárias localizações da Grécia antiga.

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Jornada longa, dolorosa mas gratificante.

Quem jogou Origins vai reparar que a base do jogo é a mesma, mas com algumas mudanças que provam que a Ubisoft esteve atenta às vozes dos fãs. O combate é muito semelhante mas desta vez temos mais habilidades que podemos utilizar em batalha, aumentando a dinâmica das mesmas. Uma das primeiras que podemos desbloquear é o icônico pontapé espartano, popularizado pelo filme 300 de Frank Miller. À medida que vamos aumentando o poder da lança de Leonidas (artefacto principal nesta trama) podemos adquirir novas habilidades ou actualizar as antigas. As habilidades estão divididas em 3 categorias: caçador, guerreiro e assassino, e cabe ao jogador dar prioridades aquelas que se adequam mais ao seu estilo de jogo.

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Mundo vasto e belo.

Ainda dentro do combate, podemos equipar o nosso personagem com diversas armas e armaduras. Existem centenas de itens diferentes e todos eles dão alterações estéticas ao personagem. Cada peça de armadura tem diferentes atributos e podemos sempre acrescentar um novo a troco de dinheiro e recursos. Tal como em Origins, podemos evoluir os equipamentos para se adequar ao nosso nível. Assim, uma arma que gostemos muito no inicio, pode ser sempre actualizada até ao final do jogo caso tenhamos recursos suficientes. Para terminar esta secção, tenho de referir o regresso das batalhas navais. O mapa de Assassin’s Creed Odyssey é enorme, sendo o maior da série, mas grande parte é mar. Perto do inicio somos presenteados com o navio Adrestia que servirá não só como meio de transporte, mas como um grande companheiro de batalha. Podemos evoluir a nossa tripulação, armas e a própria embarcação para causar e aguentar mais dano e podemos ter até 4 tenentes que aumentam os atributos da embarcação e ajudam em combate quando invadimos embarcações inimigas. Podemos também fazer alterações estéticas nas velas, proa e dar um tema à nossa tripulação (espartanos, persas, assassinos, etc…).

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Batalhas navais muito intensas.

Apesar de grande parte do mapa ser mar, não se preocupes pois a área terrestre não é nada pequena. Para além de muitas ilhas para explorar, existem áreas gigantescas de terra, repletas de vilas, acampamentos, fortes, quintas, templos, grutas, tudo o que existia na época. A mobilidade de Kassandra e o seu cavalo faz com que largas distâncias sejam percorridas muito depressa, isto claro, se não resistirem em investigar as centenas de pontos de interrogação espalhados pelo mundo. O mapa de Odyssey acaba por ser grande demais. É difícil encontrar uma zona que não seja bela, mas por vezes acaba por ter demasiadas coisas que nos distraem da narrativa principal. Existem missões secundárias de grande qualidade, mas outras são o típico “encher chouriço”.

Como o mundo está em conflito, existe uma mecânica que nos permite ajudar uma das facções. Cada área do mapa está sob o controle de uma dela e podemos desestabilizar a facção que está no comando matando soldados, queimando recursos e libertar pontos no mapa. Quando as forças estão em baixo, podemos entrar no meio de uma batalha campal para ajudar a decidir quem fica com o controlo da zona.

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Podemos ter romance com imensas personagens, até com pessoas do mesmo sexo.

As actividades secundárias são imensas, e são precisas dezenas de horas para completar as missões secundárias, bosses especiais, todos os pontos de interesse no mapa e caçar todos os membros do culto. Mas a história principal também vai ocupar muitas horas. Parece que os espartanos são muito adorados por todo o mundo, e o enredo foi muito bem escolhido. A memória de Leonidas está sempre presente e é bastante interessante ver a mercenária Kassandra no meio de conflitos militares e políticos. Algo que é bastante interessante são as consequências das nossas escolhas, tal como um RPG “à séria”. Muitas decisões vão ter consequências, imediatas ou a longo prazo. Cheguei a ter NPC’s chateados comigo por uma decisão que recusei a tomar 20 horas antes. Em relação ao “E onde entram os assassinos na história?”, posso-vos adiantar que não, neste pedaço de história da Grécia antiga não se fala da ordem dos assassinos, mas fiquem até ao final do jogo pois a história de Layla vai avançar (muito pouco, mas vai). Não me chateia o facto do jogo ser sobre espartanos e não sobre assassinos, mas gostava de ter visto mais da Layla, principalmente por causa do encontro final de Origins.

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Várias criaturas lendárias estão à nossa espera para serem caçadas.

Muitas pessoas criticam a quantidade absurda de pontos que existem no mapa nos jogos de Assassin’s Creed, e a Ubisoft desta vez dá-nos a possibilidade de jogar sem qualquer indicação no mapa. Por isso mesmo, os diálogos dos personagens estão bem diferentes do habitual no sentido em que perdem mais tempo a dar indicações sobre determinado sitio ou pessoa que tenhamos que visitar. Uma boa opção para aqueles que pretendem uma abordagem mais cinemática e sem distracções.

No geral, os gráficos não ficam muito acima do que foi visto no ano passado em Origins, excepto num ponto: as expressões faciais. Finalmente levaram um upgrade ao ponto de conseguirmos perceber o que os protagonistas estão a sentir mesmo sem falarem. Não seria um jogo da Ubisoft sem bugs. Durante as dezenas de horas que passei com o jogo, encontrei alguns problemas, algumas texturas mal carregadas aqui e ali, uma perna dentro de umas rochas enquanto escalava, mas os mais chatos era quando o jogo deixava de assumir que já não estávamos em combate, ou algumas coisas deixavam de funcionar como trocar para a tocha em momentos em que realmente precisava dela. São chatos, mas nada que um reload não resolva.

assassin's creed odyssey
O modo fotografia vai-nos consumir muito tempo.

Assassin’s Creed Odyssey é um passo em frente em relação ao título anterior e prova que a Ubisoft está atenta ao que os fãs têm para dizer sobre os seus jogos. Uma história interessante aliada a um vasto mundo é sempre uma boa aposta, mas cuidado, pois o facto de ser tão grande pode levar ao aborrecimento de alguns jogadores. Algo a ter em conta na entrega do próximo título.

Assassin's Creed Odyssey
8 / 10 Pontuação
Resumo
Apesar de ter melhorado quase tudo em relação ao título anterior, Assassin's Creed Odyssey acaba por perder algum interesse a meio caso nos foquemos demasiado nas actividades secundárias. Mas apesar disso, Assassin's Creed Odyssey é um excelente RPG de acção, provando mais uma vez que era disto que a série precisava.
Rating8

Analisado feita com base na cópia pessoal do redator.

PS4

Análise - Assassin's Creed Odyssey

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