Nintendo a provar que não faz só Marios e Zeldas.

2017 tem sido um ano de loucos no que toca a videojogos, e ainda nem chegamos a meio. Têm sido lançados jogos que certamente ficarão na nossa memória durante anos, e a Nintendo Switch tem ajudado muito nesse aspeto. Podia enumerar vários títulos que me deixaram um certo hype, mas ARMS foi talvez o que mais desejava desde que o experimentei em Fevereiro durante a nossa pequena aventura na Nintendo Portugal.

O que me atraiu tanto no jogo? A simplicidade dos controlos aliados com o fator diversão, mas já falo sobre isso. Quero começar por explicar o que é ARMS. Basicamente, ARMS é um jogo de luta 3D, onde acompanhamos os nossos lutadores numa vista na 3º pessoa.  A simplicidade vem do facto que apenas temos dois botões de ataque: um botão para o braço direito e outro para o braço esquerdo. Falo em botões pois ARMS pode ser jogado com todos os tipos de controlos disponíveis na Nintendo Switch, incluindo 1 Joy-Con na horizontal, mas o que considero os controlos “standard” do jogo são os movimentos. Ao contrário do minijogo presente em Ultra Street Fighter II que falei no mês passado, ARMS oferece uma experiência fantástica nos controlos de movimento. Com simples movimentos podemos atacar com cada um dos braços, movimentar o personagem, bloquear ataques, agarrar o adversário e espancar lutadores virtuais quando utilizamos o ataque especial, isto tudo com a precisão dos sensores de movimento dos Joy-Cons que a Nintendo nos tem vindo a prometer. A diferença entre jogar com controlos tradicionais ou controlos de movimento não é muita. Nos primeiros combates tudo pode parecer um pouco estranho, mas depois do curto período de adaptação tudo se torna natural. Mas se são jogadores mais competitivos, recomendo jogarem com controlos tradicionais, pois apesar de andarem ali para a par, os controlos tradicionais oferecem sempre aquela pequena precisão extra.

Mas falando mais dos combates em si, ARMS não é muito diferente de um tradicional jogo de luta em 3 dimensões, na verdade, a câmera faz-me lembrar a série Ninja Storm. Os nossos personagens têm todos braços extensíveis por isso, cada soco falhado vai-nos deixar vulneráveis a contra-ataques. Cada movimento tem que ser bem pensado e preciso, apostando assim num combate mais tático do que na complexidade dos golpes. Mas existem outros fatores que são úteis para combate. Começando pelos tipos de luvas que podemos utilizar no nosso personagem. Existem luvas com diferentes tipos de habilidades como queimar, eletrocutar, atordoar e até cegar adversários.

As luvas, ou ARMS, também influenciam o “ataque especial” que vai carregando ao longo do tempo ou quando aparece no campo um objeto que acelera o processo. No início cada personagem tem 3 diferentes luvas no seu arsenal e elas são independentes, permitindo assim equipar duas diferentes, uma em cada braço. Mais luvas podem ser desbloqueadas através de um minijogo. Para aceder a este é preciso créditos que se ganham em todos os modos de jogo. O objetivo do minijogo é destruir alvos e ocasionalmente embrulhos que contêm os tão desejados ARMS. Quanto mais créditos gastarmos de uma só vez, maior será o tempo que temos disponível. Outro fator que pode
influenciar os combates são as arenas. Todas elas são diferentes mas não só esteticamente. Praticamente todas elas têm algo que as difere das outras, seja uma inclinação, plataformas voadoras, obstáculos, trampolins e até existe uma que é em forma de um prato de ramen. Para além das lutas tradicionais, iremos participar em outros tipos de desafios como Voleibol, Basquetebol onde os lutadores funcionam como bola, e o Skillshot que consiste em destruir mais alvos que o adversário.

Existem alguns modos offline para explorar. O primeiro é o Grand Prix, o que nos outros jogos de luta chamamos de “Arcade Mode“. Aqui iremos participar em 10 combates (alguns deles serão os minijogos que referi anteriormente). Funciona como um modo de história, história essa que não é nada aprofundada, e após completar com vários personagens senti que não fiquei a conhecer nada sobre eles. Existe também o modo versus onde podemos jogar cada um dos tipos de jogo, incluindo um 1-on-100, onde testamos o nosso limite contra 100 adversários. É possível jogar contra outro jogador na mesma consola e contra outras consolas que estejam perto da nossa, mas para mim a cereja no topo do bolo é o modo online.

Podemos combater no modo Ranked numa vertente mais competitiva, mas é no Party Match que ARMS me fez colar à consola. Aqui o jogo irá nos enviar para lobbys aleatórios, onde vão entrando e saindo outros jogadores e sempre que possível estaremos sempre em combates 1 vs 1, 1 vs 1 vs 1, 2 vs 2, ou seja, sempre que possível todos os jogadores estão a jogar e a acumular pontos que para além de identificar quem está a “ganhar” essa sessão, servirão também para adquirir novas luvas. Mesmo que por acaso fiquemos à espera de algum jogador, podemos pressionar o botão + e começar a treinar a nossa pontaria contra alvos móveis, isto sem qualquer tipo de loading. Algo que também me impressionou foi a qualidade do net code. Nunca tive qualquer problema de ligação, tudo correu como era suposto.

Graficamente é aquilo que podemos esperar de um jogo da Nintendo, com gráficos bastante polidos e 60fps, isto quando jogado a solo ou online pois com mais um jogador na mesma consola o jogo bloqueia a 30fps. Os menus são simples mas coloridos e com uma música que fica no ouvido. Os personagens são todos muito diferentes uns dos outros, o que se reflete também na jogabilidade. As arenas são coloridas e existe sempre um ambiente de “festa” com o som do público. Infelizmente não existe muita variedade de músicas, e muitas delas são remixes do tema principal.

Não é um jogo perfeito, mas apesar de sair numa altura onde fighters de peso como Injustice 2 e Tekken 7 entram no mercado, ARMS consegue-se destacar pela sua originalidade e diversão. Porém, nem tudo é um mar de rosas. A Nintendo Switch tem de ser encarada como uma consola caseira e portátil ao mesmo tempo, e senti que após acabar o Grand Prix com todos os personagens deixei de ter qualquer tipo de objetivo quando não tinha disponível uma ligação à Internet. Apesar da sua simplicidade, é um jogo que facilmente se pode tornar na nova moda dos eSports por ser de fácil acesso e ao mesmo tempo bastante competitivo.