Ark saiu de Early Access… será?

Em Agosto de 2015 chegou ao Steam Ark: Survival Evolved em Early Access. Aproveitando a moda do youtube e os seus jogos Survival, Ark misturava os conceitos de Minecraft, Rust e afins com a a pré-história. Passados 2 anos de grande sucesso, a Wildcard decidiu que o jogo estava completo, metendo-lhe esse rótulo e duplicando o seu preço.

Em Ark: Survival Evolved o nosso personagem é atirado para um ambiente pré-histórico habitado por dinossauros e por elementos alienígenas. O menu de criação de personagem é extremamente pobre, e por mais que tente, o personagem sai sempre deformado. Não sei se foi escolha de arte ou se simplesmente foi preguiça em implementar um melhor sistema de criação. Demorei bastante para me ambientar ao jogo, pois não existe qualquer tipo de tutorial que nos ajude na nossa jornada. Somos simplesmente atirados para o meio do mapa, sem roupa e sem recursos, à mercê dos mais variados perigos e da nossa noobice.

Após várias horas de volta do jogo e de páginas da Wikia, lá me consegui orientar. Para sobreviver temos que apanhar bagas, pedras, esmurrar árvores indefesas, subir de nível, construir ferramentas armas e roupa, matar e domar dinossauros. Esta última parte é o que torna o jogo interessante, até mais que construir edifícios. Podemos domar desde pequenas criaturas, passando por T-rex gigantes e terminando em enormes criaturas voadoras. Tudo o que fazemos no jogo dá-nos experiência, e a cada novo nível que adquirimos podemos aumentar um dos aspectos do personagem e podemos alocar pontos para desbloquear novas construções. Quando morremos, perdemos tudo o que temos connosco, o que nos obriga a construir uma base segura para deixarmos os nossos bens. Pelo menos o jogo não é cruel ao ponto de nos fazer perder toda a experiência adquirida nesse servidor.

Infelizmente não consegui arranjar mais amigos para jogarem comigo, o que tornou a experiência muito mais chata e complicada. Sobreviver em tribo é essencial. Tentei jogar em servidores PvP, mas sozinho não conseguia fazer literalmente nada. Não bastava os perigos que corremos com as criaturas à solta e com a falta de comida, pois também tinha que levar com os outros jogadores que me matavam só porque sim, pois não acredito que eles tivessem esperança de roubar grande coisa de mim. Em PvE sempre consegui sobreviver bem mais e fazer umas construções engraçadas. De noite o jogo ainda se complica mais. Sem uma fonte de luz torna-se praticamente impossível andar pelo mapa. Para além disso, da dependência de comer e beber, ainda temos que ter em conta o frio e calor.

Agora falando nos aspectos gráficos e focando-me um pouco na versão consola que foi essa que analisei. O aspecto gráfico está muito aquém daquilo que a Wildcard nos apresentou no PC. Em vez de ser uma adaptação para se adequar à máquina, foi simplesmente feito um downgrade com um motion blur carregado na tentativa de esconder algumas imperfeições visuais, mas infelizmente estão todas bem visíveis. Texturas fracas, aquela sensação de desfoque, quebras de frames constantes e como orgulhoso possuidor da primeira versão da Playstation 4, um barulho semelhante ao motor de um avião. Já era de esperar pois mesmo no computador é preciso uma máquina bastante potente para conseguir tirar o máximo partido do jogo. Tirando estas limitações, Ark: Survival Evolved tem uma apresentação bastante bonita (tirando o nosso personagem…). Os diferentes mapas que nos apresentam, principalmente o The Island, o mapa original. As dezenas de criaturas que nos são apresentadas, as construções, tudo isto é um incentivo para conseguirmos criar mais e melhores coisas para dar ainda mais vida ao mundo.

No fundo, acabei por gostar do jogo. Apesar de todos os seus problemas e limitações da máquina, Ark: Survival Evolved é um jogo bastante divertido mas com um arranque bastante lento. Se tivermos amigos para nos ajudar a angariar mantimentos, a tarefa será muito, mas muito mais fácil. No entanto, não deixo de crucificar o Studio Wildcard por ter aumentado o preço do jogo para o dobro, só porque foi o lançamento da versão final. O salto do Early Access para a versão final não foi assim tão alto que justifique o aumento de preço. É um jogo bom, mas que ainda precisa de muitos ajustes, não só na optimização como também nos controlos que ainda me causam confusão. Menu de personagem no círculo… A implementação de um tutorial discreto também seria muito bem vindo, pois existem muitos pormenores como domar criaturas e até mesmo cozinhar alimentos que não são explicados e acreditem, perdi muito tempo a tentar perceber como colocar alimentos numa fogueira para os cozinhar.