24 Abr 2019
PS4

Análise – Anthem

A Bioware volta a dar um tiro ao lado.

Foi em 2013 que a Bioware começou a desenvolver Anthem, e desde o seu anuncio que se gerou um hype tremendo. Anthem prometia ser um Shooter Looter Online, muito ao estilo de Destiny, mas na terceira pessoa e com armaduras estilosas, uma fórmula que tinha tudo para ser perfeita. Infelizmente, Anthem fica muito aquém daquilo que se desejava, e nem os falhanços do seu rival da Bungie deram força a Anthem, nem mesmo as suas conquistas. 

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Anthem apresenta um excelente aspecto gráfico.

Apesar de todas as falhas do Beta, eu sempre defendi Anthem até ao seu lançamento, e peguei no jogo com a mesma mentalidade que tinha há 6 meses atrás. A sequência inicial para além de ser um pequeno tutorial de jogabilidade, também nos estabelece as bases da história. Em Anthem somos um novato Freelancer que se vê no centro de uma missão em que todos os restantes companheiros são mortos, e somos obrigados a nos retirar. Os freelancers que outrora eram vistos como heróis, depois deste incidente deixam de ser respeitados.

Na sequência seguinte vamos explorar uma parte do mapa, mostrando-nos um pouco melhor da forma como nos movimentamos nele. As nossas armaduras vêm equipadas de propulsores que nos permitem voar até que estes sobreaqueçam. O sistema de refrigeração é bastante interessante.  Existem várias formas de baixar a temperatura dos propulsores, sejam voando a pique em direcção dos solo, voar perto de água ou passar por cascatas. 

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Esqueçam as expressões faciais de Andromeda, a Bioware redimiu-se nesse campo.

De seguida somos largados em Fort Tarsis, o hub do jogo. Fort Tarsis é uma zona segura onde o nosso freelancer reside e prepara as suas próximas missões. Existem vários NPC’s com quem podemos interagir. Para além de nos darem missões e diálogos que nos ajudam a profundar o lore do jogo, podemos ainda ter conversas com opções de diálogo que podem fazem com que o seu comportamento mude. Atenção, não esperem algo ao nível de Mass Effect e até mesmo de outras franquias da companhia. O sistema de diálogos é muito rudimentar e praticamente não altera nada.

É também em Fort Tarsis onde temos a nossa garagem de Javelins. Existem 4 tipos diferentes:

  • Storm: utiliza ataques elementais. O”mago” deste jogo;
  • Ranger: se fosse num jogo “normal”, seria Warrior. É a classe que se adequa a qualquer estilo;
  • Colossus: é o tank do jogo. Normalmente adoro ser tank, mas neste jogo não me seduziu minimamente;
  • Interceptor: A armadura mais elegante do jogo. Mestre em ataques rápidos, Interceptor é como se tratasse de um Ninja.
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Cenários soberbos

A nível 2 podemos escolher a nossa primeira Javelin, mas não necessitamos de criar um novo personagem para mudar de classe. Aos níveis 8, 16 e 26 podemos escolher mais uma, customiza-las como bem entendermos e alternar entre elas entre cada missão, por isso nunca nos vamos sentir presos a um “personagem”.

Apesar das diferenças nos tipos de habilidades, a base de cada uma das Javelins é a mesma e  alternar entre cada uma delas vai-se tornando natural. Os controlos são bons e a jogabilidade fluída, mas isso não é suficiente para fazer um bom jogo. Quem já jogou Destiny vai notar muitas semelhanças entre os dois, infelizmente Anthem não conseguiu trazer o que rival tinha de bom. As missões têm padrões semelhantes: ir de ponto A a ponto B, matar todos os inimigos, activar algo, fazer algo importante numa zona onde não se pode reviver, fim da missão. Pelo caminho vamos apanhando loot e materiais para craftar novos equipamentos, e é aqui que Anthem ficou muito aquém do esperado. Como qualquer jogo à base de loots, um dos aspectos que nos dá mais “pica” para além de ficarmos mais fortes, é exibir aquelas armas raras que tanto trabalho nos deram a ganhar, só que em Anthem, todas as armas, sejam elas comuns ou lendárias, têm todas o mesmo aspecto, e mudam apenas nos stats.

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O sistema de refrigeração dos propulsores tornam a mobilidade um dos aspectos mais interessantes.

Terminando a campanha, o nosso objectivo é repetir missões, strongholds (que até à data são apenas 3) e free roam num farm intensivo para ir melhorando o equipamento. E é isso… Anthem não tem muito mais para nos oferecer. Não existe um modo PVP nem nada do género. Anthem parece um jogo inacabado, até algumas partes da história parecem que levaram um corte a meio.

É uma pena Anthem ter tão pouco conteúdo e ser tão “chato”. É um jogo que graficamente salta à vista, com designs soberbos e paisagens das mais belas nos videojogos. Até mesmo as expressões faciais estão muito acima daquilo visto em Mass Effect Andromeda, mas que no fundo não servem de muito pois não podemos interagir com eles com a mesma profundidade que o épico RPG espacial da companhia.

Pode ser que daqui a um ano, Anthem seja um excelente jogo, mas nessa altura já estará manchado pelo seu trágico lançamento.

Anthem
5 / 10 Pontuação
Gráficos fantásticos e boa jogabilidade, mas infelizmente é um jogo com pouco conteúdo e o o endgame é quase nulo. Pode ser que daqui a um ano tenha conteúdo que justifique a compra.
Rating5

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