30 Ago 2018
Análises

Análise: Phoenix Wright Dual Destinies

O advogado mais conhecido dos videojogos tem um regresso glorioso à portátil da Nintendo.

Com o seu primeiro jogo para a 3DS, Phoenix Wright sai da reforma para voltar ao fato azul que o tornou tão famoso. No primeiro jogo da saga que sai dos tradicionais sprites em duas dimensões, para modelos poligonais 3D, e com algumas mudanças à fórmula tradicional que muitos fans estão habituados, será que consegue progredir de forma positiva, mantendo toda a glória que os títulos originais possuíam, a trazer o charme das suas histórias cheias de cor e humor, um rol de personagens carismáticas e diferentes, e o sistema visual novel, mal conhecido fora de território nipónico, introduzido a uma geração completamente diferente com total sucesso?

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Grande parte do charme que os jogos originais possuíam, era presente na sua simplicidade. Em simples tecnologia de um Game Boy Advance, os personagens possuiam poucas animações, e as suas emoções eram demonstradas através de algumas expressões. Este quinto título na saga, introduz grafismo 3D, mas não descura da apresentação que tornou a série tão conhecida. As personagens movimentam-se e interagem de maneira perfeitamente natural, e mais fluidamente que nunca, mas ainda mantêm os cortes entre expressões e o estilo tradicional da saga, o que assenta como uma luva ao jogo. Uma das melhores apresentações num destes títulos, e uma evolução elegante que adiciona novos ângulos de câmara e expressões mais dinâmicas a momentos chave, e ajuda a narrativa a causar uma impressão espectacular ao jogador sempre que precisa. Também estão incluídas cenas em anime para certos momentos, que contribuem para a narrativa, mas ouvir as personagens a falar apenas nestes segmentos é pouco natural, visto que durante o resto do jogo, as vozes limitam-se a palavras-chave.

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A estructura é bastante conservadora, com os típicos elementos de falar com testemunhas, contra-argumentar, encontrar discrepâncias em argumentos, e investigar detalhes fora do tribunal permanecem intocadas dos outros títulos. A maior adição, é o sistema de emoção da nova personagem, Athena Cykes. Utilizando psicologia, é possível neste jogo localizar emoções específicas de personagens, e contrapôr cada elemento e argumento feito utilizando os sentimentos da testemunha. Expande um pouco a jogabilidade, e cinge-se a momentos específicos, o suficiente para uma boa variação no jogo. Um novo bloco de notas também aparece com os objectivos específicos de cada capítulo, bem como um registo de todas as últimas falas ditas durante a jogabilidade, o que significa que jogadores não se perdem entre eventos, caso necessitem de parar o jogo durante um longo espaço de tempo. Cada caso em tribunal parece ter mais escolhas e precisar de mais intuição do que os títulos prévios, e um número mais elevado de provas disponíveis, significa que um jogador precisa de pensar bem antes de fazer as suas escolhas, algo que melhora substancialmente a experiência.

No entanto, nem todas as mudanças são positivas. Os elementos de investigação, que permitiam ao jogador passar a pente fino todos os detalhes de cada cenário, e obter assim momentos de história e humor de cada personagem, estão quase ausentes deste título, limitando-se às cenas do crime, que possuem apenas alguns espaços chave para investigar, bem como diferentes ângulos de câmara entre os quais o jogador pode mudar. Estes espaços deixam de ser exploráveis no momento em que o jogador “clica” em tudo, tornando-se assim numa formalidade em vez de algo mais profundo, e perdendo alguma personalidade pelo caminho.

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Phoenix Wright: Dual Destinies dá bastantes passos em frente, e lamentávelmente, um ou dois atrás. Apresenta-se mesmo assim como uma evolução positiva para a série, e um excelente novo capítulo, que traz uma história e banda sonoras espectaculares para todos os fãs e curiosos. A sua tradução, tal como em todos os títulos, é admirável, e todos os elementos foram reproduzidos para a cultura ocidental de maneira excepcional. Disponível na Nintendo eShop por um preço apetecível de €24,99, é um título a não perder.

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