22 Out 2020
Análises

Análise – Azure Striker Gunvolt 2

O melhor de Inti-Creates, e nem sequer passa por Mega Man.

Se estavam à espera da pura experiência à la Mega Man em Mighty No. 9, já devem saber por esta hora, que a coisa não correu lá muito bem. Felizmente, a Inti-Creates é uma empresa com talento puro e dois anos antes colocaram-no todo na série Azure Striker Gunvolt.

Acho muito estranho a forma como a Inti abordou ambos os jogos, sabendo que um iria apelar muito mais às massas do que o outro, mas que a pura essência ficou naquele “patinho feio” que apesar de ter saído antes que Mighty No. 9 no Japão, saiu depois do mesmo na Europa. . Mas por mais estranho que pareça, decidiram criar um hype enorme à volta daquele que seria uma aposta muito arriscada (já deviam de ter aprendido a lição com Mega Man Legends), e deixar o seu diamante em bruto cair nas sombras ou na má fama criada após o lançamento deste primeiro.

azure-striker-gunvolt-5

Mighty No. 9 podia ter sido o que todos nós esperámos, mas foi Azure Striker Gunvolt 2 que conseguiu sair por cima na relação qualidade/remake, apesar de ter sido lançado 2 anos antes do jogo de Beck.

Azure Striker Gunvolt 2 é um jogo de acção 2D, sequela de Azure Striker Gunvolt e um tributo a Mega Man com nuances de Gunstar Heroes mas muito mais flashy e explosivo. O jogo desenrola-se num ambiente biónico e futurista, e está repartido por diversas fases e bosses, do quais após derrotados, adquirimos armas novas que nos ajudam nas missões seguintes.

azure-striker-gunvolt-6

Apesar do jogo ter sido inspirado ou até de ter sido imaginado como uma cópia de Mega Man, Azure acaba por ganhar a sua própria identidade transcendendo ao legado da ex-equipa da Capcom com mérito próprio, podendo sair daqui como um passo enorme para uma série futura de qualidade. Azure Striker Gunvolt 2 pode bem vir a ser uma aposta séria para o mercado gaming futuro.

azure-striker-gunvolt-4

Os níveis são escolhidos pela ordem que queremos (onde já vimos isto?) e não oferecem aquele desafio que esperávamos num jogo de plataformas convencional. Neste caso podemos passar o jogo em jeito de speedrun enquanto varremos com todos os inimigos da tela usando Gunvolt ou Copen. Ao longo do jogo podemos interagir com os nossos aliados e concluir diversos objectivos de nível para nível.

Com Gunvolt podemos disparar com a nossa arma principal enquanto fazemos lock-on até 3 inimigos em simultâneo para atingi-los com descargas eléctricas. Mas temos de ter cuidado porque podemos sobreaquecer a nossa arma se usarmos muita energia sem a carregar. Aliado a isso, podemos usar habilidades especiais que passam por regenerar vida até criar explosões com dano massivo. Com Copen, a movimentação é mais simplificada com o poder de dash, mas é preciso um pouco mais de treino para nos ambientarmos aos seus ataques. Só podemos fazer lock-on em um inimigo de cada vez e temos de nos aproximar deles através de dashing para o fazer. Ambos os personagens podem adquirir armas dos bosses que derrotam ao longo do jogo, mas Copen suporta mais armas que Gunvolt. No entanto, não vos posso dizer qual deles é melhor para se jogar. Deixo isso ao vosso critério.

azure-striker-gunvolt-2

O visual do jogo é brilhante e tipicamente nipónico. Com um artwork puramente Anime, os personagens apesar de robóticos, têm aquele ar infantil e cartoonesco a que a Inti tão bem nos habituou. Os diálogos, apesar de ser uma presença que quebra um pouco o gelo ( e por vezes a acção), são bem animados, expressivos e dão essência a este jogo, fazendo com que não seja apenas mais um jogo de tiros.

azure-striker-gunvolt-3

O modo de campanha divide-se em dois passadas algumas missões, onde podemos escolher o caminho de Gunvolt ou Copen. Contudo,aliada a uma história trivial, a originalidade e personalidade dos personagens dá um certo charme ao enredo, fazendo com que isto não seja só um jogo de tiros.

azure-striker-gunvolt-7

 

Apesar dos objectivos serem os mesmos para ambos os personagens, cada um deles controla-se de maneira bastante diferente e os layout dos níveis muda de um para o outro, prolongando bastante a experiência de jogo.

O único defeito que vejo neste jogo reside no facto de haver muita informação no ecrã a passar ao mesmo tempo. Quando estamos a lutar com inimigos mais difíceis ou bosses que precisam dos nossos sentidos aguçados, as explosões, percentagem de dano e até diálogos que vão aparecendo fazem-nos perder a nossa atenção e a focarmo-nos no que vai aparecendo de novo, abrindo a nossa guarda a quem está a atacar.

azure-striker-gunvolt-1

 

A dificuldade é palavra de ordem nos jogos dos criadores de Mega Man, devido ao design dos níveis, mas no caso de Azure Striker Gunvolt 2, a nossa perícia é a chave para termos sucesso neste jogo. Teremos de saber controlar bem os personagens e ter destreza com cada uma das armas e saber como e onde aplicá-las melhor. Temos vários checkpoints e podemos ir salvando de nível para nível, manualmente, o que é algo que já não se faz hoje em dia, visto que vivemos na era do autosave. Depois de cada missão, jogamos um nível bónus onde podemos adquirir melhorias para os nossos personagen. Se formos atingido muitas vezes ao longo do jogo também podemos perder pontos na tabela de classificação. No final, este jogo respeita toda a sua tradição retro implementando tudo o que de melhor se fez na altura, mas a pensar nos dias de hoje.

Related posts